- MENU                       ::::::::::
 
- Rede de Transformadores
- Conselhos Municipais
- Conselhos Tutelares
- Fórum DCA
- Fórum Das ONG's
- Fórum Dos Conselhos
- Projetos
- Exploração Trab. Infantil
- Exploração Sexual
_ Parceiros
_ Links
_ Fale Conosco
Bem Vindo Ao Nosso Site
 

PROTAGONISMO JUVENIL

ESPAÇO ABERTO : Bom proveito e Volte sempre

- para divulgação de experiências inovadoras onde a construção de uma nova sociedade e ingrediente do processo educativo;

- Troca de experiências entre profissionais que trabalham nas entidades sociais;

- Divulgação de oportunidades de trabalho e de profissionais que procuram uma oportunidade,etc...

INDICE DESTA PAGINA:

1) - ALERTA :

•  Novas Drogas

2) - PESQUISA FUTURA:

•  Sexualidade

3) - PROTAGONISMO JUVENIL

4) - AGENTES JOVENS EM CAPACITAÇÃO TEÓRICA

5) CRÔNICAS :

  • Gravidez em cena
  • Maternidade e renda
  • Escola percussiva
  • Sexo com responsabilidade
  • Vocês não sabem o que é inflação?
  •  

6) - GERDAU CRIA FUNDO PARA ENSINO E CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL DE JOVENS CARENTES

7) - ALERTA TRÊS MILHÕES DE CRIANÇAS EUROPÉIAS PADECEM DE OBESIDADE

8) - CHINA TEM CENTRO DE TRATAMENTO DE VICIADOS EM WEB

9) - BREVE HISTÓRICO DO COLETIVO DE CRIANÇAS, ADOLESCENTES E JOVENS DO ESTADO DE SÃO PAULO

10) - A ACADEMIA EDUCAR

11) DEPRESSÃO JUVENIL

12) - FUNDO POSSIBILITA QUE ESTUDANTES ABRAM EMPRESAS NO ESTADO

 ------------------- x -------------------

1) - ALERTA: Novas Drogas

Novas drogas seduzem jovens em festas raves e micaretas

28 de junho de 2005 do clipping da ANDI

Chá de fita cassete, anti-respingo de solda e microponto de grafite. Drogas consumidas principalmente em raves e micaretas, elas podem ter efeitos mais destruidores do que o uso do álcool, maconha e cocaína. O alerta é da psicóloga Sabine Cavalcanti, do Conselho Estadual Anti-Drogas (Cead) do Rio de Janeiro.

Trabalhando no ambulatório do Cead, onde atende aos mais variados casos de dependência química, a psicóloga explica que o consumo de ‘múltiplas substâncias' – como são especificadas tais novidades nos relatórios da instituição – é feito em conjunto com outras drogas, como álcool e cocaína, por adolescentes cada vez mais jovens e não-iniciantes.

“Durante os relatos, os adolescentes contam que usam com outras drogas. Isso nasce de um excesso de criatividade mal-aproveitada, é a turma do ‘vamos experimentar'. Eles procuram novidades a qualquer custo. O último caso que atendemos de ingestão de chá de fita cassete, por exemplo, foi de um jovem de 16 anos, num nível de intoxicação que eu nunca tinha visto. Eles não têm idéia de que isso é a mesma coisa que chá de chumbo, ou seja, contaminação por metal pesado”, explicou a psicóloga.

Nova droga - Outra novidade que é moda nas micaretas e nas raves do País é o anti-respingo de solda. Encontrada em lojas de ferramentas, a R$ 15 o tubo, a substância química é usada originalmente para evitar a aderência de respingo de solda em peças e acessórios. Nas festas, no entanto, ela é usada como inalante. O produto também é conhecido como ‘primo do lança', pois, segundo os usuários, o efeito é parecido com o do lança-perfume.

Orkut - Na comunidade virtual de relacionamentos Orkut, existem sete comunidades criadas para fãs da droga. No fórum de debates, muitos explicam como despistar o produto, colocando em vidros de perfume vazios, por exemplo. Outros compartilham as experiências pessoais dos efeitos colaterais, como vômitos e desmaios.

A utilização do microponto de grafite – uma cápsula escura do tamanho de um caroço de uva – está substituindo o ácido lisérgico e o ecstasy nas raves, segundo os usuários, por ser menos desidratante. “O microponto não tem anfetamina e pode ser combinado com álcool. Com ele, não é preciso beber tanta água. Pode perguntar, nas raves, a primeira coisa que acaba é a água”, revelou um usuário.

Fonte: Jornal do Brasil-RJ – Mariana Filgueiras (20/06)

--------------- X ----------------

ONU: cresce consumo de drogas sintéticas no Brasil

29/06/2005 - 19:17:35 Redação Terra

O Brasil é um mercado consumidor crescente de anfetaminas e ecstasy, as chamadas drogas sintéticas, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2005 do Escritório contra Drogas e Crime da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta quarta-feira no Rio de Janeiro.

Segundo o documento, o Brasil hoje já é o país o que mais consome ecstasy dentre as nações do Cone Sul (Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina) e o terceiro colocado no ranking de toda a América do Sul. Cerca de 0,2% da população entre 15 e 64 anos de idade utiliza a droga no país.

"O Brasil é um país que tem mais de 50 milhões de jovens, então é um mercado atrativo para os traficantes. As drogas sintéticas estão entrando mais e mais no país. Percebemos isso nas apreensões que a Polícia Federal e as outras polícias estão fazendo no Brasil", disse o representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime no Brasil, Giovanni Quaglia.

Com relação aos outros tipos de drogas, a situação do Brasil não é alarmante, de acordo com Quaglia. O índice de usuários de maconha no país é de 1% entre as pessoas de 15 a 64 anos, uma taxa superada na América Latina apenas pelo México (0,6%) e por duas ilhas caribenhas. A prevalência de usuários de cocaína é de 0,4%, índice apenas superior ao do Uruguai na América do Sul.

AIDS

O controle da aids entre os usuários de drogas injetáveis é um dos principais destaques brasileiros do relatório da ONU, divulgado nesta quarta-feira. Enquanto o índice de portadores do vírus HIV entre os usuários chega a 80% na América do Sul e a 66,5% na Europa Ocidental, no Brasil a taxa é de 50%.

A aids seria disseminada entre o uso compartilhado de seringas contaminadas. O representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime no Brasil, Giovanni Quaglia, explicou que o resultado, apesar de não ser o ideal, já pode ser comemorado.

"O governo fez um trabalho de inclusão social. É muito interessante. Isso não foi feito em outros países. No Brasil, isso deu certo, através de campanhas, troca de seringas, programas educacionais e tratamento universal para todos os brasileiros", disse.

Segundo ele, o Brasil foi um dos primeiros países em desenvolvimento a aplicar essa política de saúde pública. "É uma política que deu certo e que hoje é um exemplo para o mundo inteiro", disse o representante da ONU.

--------------- x ---------------

2) - PESQUISA FUTURA - SEXUALIDADE

Principais Resultados

Anselmo Hudson

A Futura ouviu a população da Grande Vitória sobre o tema educação sexual, constatando primeiro a importância do sexo na vida das pessoas, onde, para 49% da população, fazer sexo é tão importante quanto ter saúde, por exemplo.

A maioria simples da população (54%) acredita possuir um médio conhecimento sobre o tema. Ao mesmo tempo, 30% dos entrevistados afirmam que receberam mais informações sobre educação sexual entre amigos, o mesmo peso (30%) encontrado para as pessoas que leram ou conheceram o tema por conta própria. Nesse segmento se destacam os homens e as pessoas com mais de 30 anos de idade.

Por outro lado, 59% dos entrevistados afirmaram ter recebido mais informações sobre educação sexual na escola (26%), em casa (23%) ou no trabalho (10%). Nesse segmento destacam-se, sobretudo, as pessoas com até 30 anos.

Em 57% dos lares da Grande Vitória o tema sexo não é assunto de conversa freqüente: 35% das famílias discutem o tema “às vezes”, 10% discutem o tema “quase nunca” e 12% “nunca” discutem o tema. Outro número impressionante: 59% da população sente algum nível de timidez ao abordar e conversar sobre sexo em família. Este número comprova o quão polêmico e constrangedor é a discussão deste tema dentro do lar.

Esses níveis de timidez e de freqüência com que o tema é conversado se reduz nas rodas de amigos e amigas, mas continuam extremamente altos: 49% da população não discute o tema com freqüência entre amigo(a)s, ao passo que 54% sentem algum tipo de timidez ao abordar o tema sexo também entre amigos. Ou seja, conversar sobre sexo, em qualquer esfera, continua sendo um dos maiores “tabus” dos capixabas.

Os assuntos, dentro do tema educação sexual, mais conversados em família são: DST´s (Doenças Sexualmente Transmissíveis) com 51%, a gravidez (45%), a educação sexual de uma forma geral (26%), a virgindade (21%)( e técnicas anticoncepcionais (16%). Esses números refletem a preocupação das famílias na prevenção de doenças e nas conseqüências do sexo feito sem responsabilidade. Deveriam também enfatizar, e isso não aparece na pesquisa, os aspectos positivos da prática do sexo feito com responsabilidade. Esse fator explica em parte o quão complicado é conversar sobre o tema em família.

Anselmo Hudson é economista

---------------------- x ---------------------

3) - PROTAGONISMO JUVENIL:

O que é e como praticá-lo

Autor: Antonio Carlos Gomes da Costa

“Tu me dizes, eu esqueço.

Tu me ensinas, eu lembro.

Tu me envolves, eu aprendo.”

Benjamim Franklin

Parte I: Conceitos Básicos: Juventude, Educação e Mudança

1. Qual o grande desafio da educação nesta reta final de século e de milênio?

* Segundo Ítalo Gastaldi, o grande desafio da educação nos dias de hoje reside na questão dos valores, ou seja, na capacidade de as gerações adultas possibilitarem aos jovens identificar, incorporar e realizar os valores positivos construídos ao longo da evolução da história humana.

2. Por que esta tarefa tornou-se tão desafiadora e complexa em nosso tempo?

* Porque - precisamente agora - estamos vivendo num mundo marcado por uma série de dinamismos, que, tomados em conjunto, configuram o ingresso da humanidade numa nova etapa do processo civilizatório.

3. Que dinamismos são esses?

* No plano econômico, a globalização dos mercados. No plano tecnológico, o ingresso na era pós-industrial e, no plano sócio-cultural, a chamada pós-chamada.

4. Quais são as conseqüências desses dinamismos para o cotidiano social dos jovens?

* São muitas e bastante diversificadas. A globalização dos mercados, por exemplo, exige que cada país, para inserir-se de forma competitiva na economia internacional, eleve dramaticamente seus níveis de produtividade e qualidade na produção de bens e serviços. Isto, frequentemente, se faz por meio de ajustes estruturais na economia. Estes ajustes, pelo menos num primeiro momento, têm acarretado um elevado custo social, que é pago, principalmente, pelo mais pobres.

5. E o ingresso na era pós-industrial?

* As novas tecnologias já não substituem apenas a força muscular de homens e animais. Elas - agora - através das máquinas inteligentes, substituem também boa parte do esforço cerebral humano. Está nascendo um novo mundo do trabalho marcado pela robótica, a telemática, a informática, os novos materiais e a biotecnologia.

* No interior desse quadro, o mercado de trabalho tende a tornar-se cada vez mais complexo, competitivo e reduzido em suas dimensões. As novas tecnologias possibilitam o aumento crescente da produção sem aumento ou até mesmo com crescente redução dos empregos. Em resumo, produção e emprego, daqui para a frente, estarão definitivamente desvinculadas uma da outra.

6. E a cultura pós-moderna?

* A cultura pós-moderna, segundo os estudiosos do tema, é o ambiente cultural da era pós-industrial e do mundo globalizado.

* A pós-modernidade, segundo Gastaldi, é marcada por alguns traços como a desconfiança da razão, a desaparição de dogmas convicções e princípios fixos, a fragmentação das cosmovisões, através da crise dos grandes relatos e a dissolução do sentido da história. Tudo isso levando a formas cada vez mais variadas e difusas de religiosidade, o distanciamento, em vez do conflito, entre jovens e adultos e, principalmente, a uma crise de valores sem precedentes. A busca do prazer imediato e o consumismo emergem como características emblemáticas desses novos tempos.

7. Qual a grande conseqüência social de tudo isso?

* A globalização e o ingresso na era pós-industrial podem ter como conseqüência um enorme crescimento da exclusão social, se a humanidade não for capaz de conciliar a agenda da transformação produtiva, que é econômica e técnico-científica, com a agenda da equidade social, que é essencialmente ético-política. E isto nos faz lembrar das palavras pre-figuradoras de André Malraux: “O século XXI será ético e espiritual ou não será.”

8. E como fica a educação diante de tudo isso?

* A educação está desafiada a encarar e vencer esses novos desafios. Ele já não pode mais reduzir-se apenas à transmissão de conhecimentos, habilidades e destrezas. Mais do que nunca - como diz Paulo Freire - é preciso que a pedagogia seja entendida como a teoria que implique os fins e os meios da ação educativa.

* E indagar acerca dos fins da educação é perguntar:

* Que tipo de homem queremos formar?

* Que tipo de sociedade para cuja construção queremos contribuir com nosso trabalho educativo?

9. Que tipo de homem queremos formar?

* Durante essa “era dos extremos”, que foi o século XX, o mundo capitalista pautou-se por um ideal de homem muito autônomo, porém, pouco solidário. Enquanto que os países socialistas cultivaram um homem compulsoriamente solidário e muito pouco autônomo.

* O desafio de construir um novo horizonte antropológico para a educação, nesta reta final do século e do milênio, tem levado muitos educadores a se voltarem para a formação do homem autônomo e solidário, aproveitando, assim, o melhor dos dois mundos. Os ideais de liberdade do Ocidente e os ideais de solidariedade, que inspiraram o mundo socialista.

10. E quanto à sociedade? Que tipo de sociedade devemos lutar por construir?

* No Brasil esta questão já está respondida no artigo 30 da nossa Constituição Federal:

Artigo 30: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

11. E como fazer isso?

* Essa pergunta nos remete à questão dos meios da educação. Se quisermos transmitir valores às novas gerações, não deveremos nos limitar à dimensão dos conteúdos intelectuais, transmitidas através da docência, devemos ir além. Os valores devem ser, mais do que transmitidos, vividos. A inteligência não é a única via de acesso e expressão dos valores. Eles se manifestam quando sentimos, escolhemos, decidimos ou agimos nesta ou naquela direção.

12. No interior dessa visão, o que significa educar?

* Educar, de acordo com a visão aqui defendida, é criar espaços para que o educando possa empreender ele próprio a construção do seu ser, ou seja, a realização de suas potencialidades em termos pessoais e sociais.

13. Como fica a visão do educando no interior dessa pedagogia?

* O educando, no interior dessa visão, passa a ser visto, não como recipiente, mas como fonte autêntica de iniciativa, compromisso e liberdade.

14. Explique melhor.

* Fonte de iniciativa significa que o educando deve agir, ou seja, não deve ser apenas um expectador ou um receptor do processo pedagógico. Ele deve situar-se na raiz mesma dos acontecimentos, envolvendo-se na sua produção.

* Fonte de liberdade significa que o educando deve ter diante de si cursos alternativos de ação, deve decidir, fazer opções, como parte do seu processo de crescimento como pessoa e como cidadão.

* Fonte de compromisso significa que o educando deve responder pelos seus atos, deve ser conseqüente nas suas ações, assumindo a responsabilidade pelo que faz ou deixa de fazer.

* Esta concepção de educando nos leva, necessariamente, à formação do jovem autônomo, solidário e competente.

15. Neste contexto, o que significa competência?

* A palavra competência, aqui, não está empregada em seu sentido corriqueiro. Trata-se, efetivamente, de uma acepção mais ampla. Estamos falando de competência no sentido expresso no Relatório, que Jacques Delors, coordenando um grupo de quatorze grandes educadores, produziu para a UNESCO - EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR. Este Relatório sustenta que a educação no século XXI deverá ser cada vez mais pluridimensional.

16. Por que a educação é vista como “um tesouro a descobrir?”

* Este nome foi inspirado numa fábula de La Fontaine - O Lavrador e os Filhos - ou, mais precisamente, do seguinte trecho:

“Evitai, disse o lavrador, vender a herança

Que de nossos pais nos veio

Esconde um tesouro em seu seio.”

* Jacques Delors, no entanto, traindo um pouco o poeta, que pretendia fazer o elogio do trabalho, põe na sua boca as seguintes palavras:

“Mas ao morrer o sábio pai

Fez-lhe esta confissão

- O tesouro está na educação.”

* No limiar da civilização cognitiva na qual estamos adentrando, a educação deverá fornecer ao homem “a cartografia de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele.”

17. Qual o sentido da palavra competência no relatório Jacques Delors?

* Mais do que acumular uma carga cada vez mais pesada de conhecimentos, o importante agora é estar apto para aproveitar, do começo ao fim da vida, as oportunidades de aprofundar e enriquecer esses primeiros conhecimentos num mundo em permanente e acelerada mudança.

* Para dar conta da missão que os tempos lhe impõem, a educação deve ser capaz de organizar-se em torno de quatro grandes eixos:

* Aprender a ser;

* Aprender a conviver;

* Aprender a fazer;

* Aprender a aprender.

* Estes segundo o relatório, são os quatro pilares da educação. A comissão reconhece que a educação escolar, que temos hoje, orienta-se basicamente para o conhecer e, em menor escala, para o fazer. As outras aprendizagens - ser e conviver - ficam a depender de circunstâncias aleatórias fora do âmbito do ensino estruturado.

* Daí, emergem as quatro competências, que o jovem, para ser autônomo, solidário e competente deverá desenvolver:

* Competência Pessoal (aprender a ser)

* Competência Social (aprender a conviver)

* Competência Produtiva (aprender a fazer)

* Competência Cognitiva (aprender a aprender)

18. Explicite melhor essa idéia.

* A idéia pode ser resumida em dois grandes objetivos:

1. Ampliar a educação ao conjunto da experiência humana (ser, conviver, fazer e conhecer);

2. Estendê-la ao longo de toda a vida, transcendendo os limites da instituição e da idade escolar.

* Assim, a educação no século XXI terá como fundamento quatro pilares, segunda o Relatório:

a). Aprender a Ser:

b). Aprender a Conviver:

c). Aprender a Fazer:

“ Para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir em cada vez melhor capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das capacidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas e aptidão para comunicar.”

“ Desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências - realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.”

“ Não somente para adquirir uma qualificação profissional, mas, duma maneira mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e trabalhar em equipe. Mas também, aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos adolescentes e jovens, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.”

d). Aprender a Conhecer:

“ Combinando uma cultura geral suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O que significa aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.”

* Estamos ainda muito longe - quando olhamos o que se passa em redor de nós no sistema de ensino - da perspectiva de uma educação assentada sobre os quatro pilares propostos no relatório. No entanto, é preciso ter claro que, mais do que a visão de um grupo de sábios, o Relatório exprime as exigências dos novos tempos e das novas circunstâncias em que seremos chamados a viver no século XXI.

19. Em que se baseia esta concepção de educação?

* A concepção de educação abraçada pela ONU neste limiar do século XXI tem por fundamento o Paradigma do Desenvolvimento Humano, que, desde 1990, vem sendo desenvolvido e difundido pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

20. Em que consiste esse paradigma?

* Com base no Relatório sobre Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD/ IPEA/1996), podemos resumi-lo em dez pontos básicos:

1. O fundamento real do desenvolvimento humano é o universalismo do direito à vida;

2. Cada ser humano nasce com um potencial, que necessita de certas condições para se desenvolver;

3. O objetivo do desenvolvimento é criar um ambiente no qual todas as pessoas possam expandir suas capacidades;

4. Esse ambiente deve ainda oportunizar que a presente e as futuras gerações ampliem suas possibilidades;

5. A vida não é valorizada apenas porque as pessoas podem produzir bens materiais, nem a vida de uma pessoa vale mais que a de outra;

6. Cada indivíduo, bem como cada geração tem direito a oportunidades, que lhe permitam melhor fazer uso de suas capacidades potenciais;

7. A forma pela qual realmente são aproveitadas essas oportunidades e quais os resultados alcançados é um assunto que tem a ver com as escolhas que cada um faz ao longo de sua vida;

8. Todo ser humano deve ter possibilidade de escolha, agora, e no futuro;

9. Há uma necessidade ética de se garantir às gerações futuras condições ambientais pelo menos iguais às que gerações anteriores desfrutaram (desenvolvimento sustentável);

10. Esse universalismo torna as pessoas mais capazes e protege os direitos fundamentais (civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais).

21. Qual a relação entre a educação pluridimensional e o Paradigma do Desenvolvimento Humano?

* A educação pluridimensional é a aplicação dos princípios ético-políticos desse paradigma ao desenvolvimento pessoal e social das novas gerações e também das gerações adultas, preparando o ser humano para viver e trabalhar numa sociedade moderna.

22. Qual o perfil exigido do jovem para trabalhar e viver na era pós-industrial, na sociedade do conhecimento?

* Os Códigos da Modernidade de Bernardo Toro e as Mega-Habilidades formuladas pela equipe do CLIE (Centro Latino-Americano de Investigações Educacionais) nos traçam prefigurações realistas do perfil exigido de cada ser humano, para trabalhar e viver numa sociedade moderna:

* Códigos da Modernidade (Bernardo Toro):

I - Domínio da Lecto-Escritura;

II - Capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas;

III - Capacidade de compreender, analisar, interpretar e sintetizar dados, fatos e situações;

IV - Compreender e operar seu entorno social;

V - Receber criticamente os meios de comunicação;

VI - Acessar informações;

VII - Trabalhar em grupo.

23 - * Mega-Habilidades (CLIE):

a) - Confiança: Sentir-se capaz de fazer;

b) - Motivação: Querer fazer;

c) - Esforço: Disposição de trabalhar duro. Superar dificuldades;

d) - Responsabilidade: Fazer o que deve ser feito. Fazer correto;

e) - Iniciativa: Passar da intenção à ação;

f) - Perseverança: Terminar o começado;

g) - Altruísmo: Sentir preocupação pelo outro;

h) - Sentir Comum: Ter bons critérios ao avaliar e decidir;

i) - Solução de Problemas: Por em ação o que sabe e o que é capaz de fazer.

* Os Códigos da Modernidade e as Mega-Habilidades são, portanto, reflexos das duas ordens de exigência (transformação produtiva e equidade social) sobre a educação do nosso tempo.

24. Essas competências e habilidades podem ser transmitidas através apenas da docência?

* É certo que não. Para criar os espaços necessários à eclosão das práticas e vivências capazes de permitir aos jovens exercitarem-se como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso são necessários recursos pedagógicos de natureza distinta da aula. São necessários acontecimentos em que o jovem possa desempenhar um papel protagônico. Aqui, o discurso das palavras deve ser substituído pelo curso efetivo dos acontecimentos.

25. O que é, pois, protagonismo juvenil?

* O Protagonismo Juvenil, enquanto modalidade de ação educativa, é a criação de espaços e condições capazes de possibilitar aos jovens envolver-se em atividades direcionadas à solução de problemas reais, atuando como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso.

26. De onde vem o termo protagonismo juvenil?

* Vem do grego. Proto quer dizer o primeiro, o principal. Agon significa luta. Agonista, lutador. Protagonista, literalmente, quer dizer o lutador principal. No teatro, o termo passouu a designar os atores que conduzem a trama, os principais atores. O mesmo ocorrendo também com os personagens de um romance.

* No nosso caso, ou seja, no campo da educação, o termo protagonismo juvenil designa a atuação dos jovens como personagem principal de uma iniciativa, atividade ou projeto voltado para a solução de problemas reais. O cerne do protagonismo, portanto, é a participação ativa e construtiva do jovem na vida da escola, da comunidade ou da sociedade mais ampla.

27. Toda participação implica em protagonismo por parte do jovem?

* Não. Existem formas de participação, que são a negação do protagonismo. A participação manipulada, a participação simbólica e a participação decorativa são forma, na verdade, de não-participação.

28. Quando a participação se torna genuína?

* A participação se torna genuína quando se desenvolve num ambiente democrático. A participação sem democracia é manipulação e, em vez de contribuir para o desenvolvimento pessoal e social do jovem, pode prejudicar a sua formação. Principalmente, quando se tem o propósito de formar o jovem autônomo, solidário e competente.

29. O que o jovem ganha com o protagonismo?

* A participação autêntica se traduz para o jovem num ganho de autonomia, autoconfiança e autodeterminação numa fase da vida em que ele se procura e se experimenta, empenhado que está na construção da sua identidade pessoal e social e no seu projeto de vida.

30. O que a sociedade ganha com o protagonismo dos jovens?

* A sociedade ganha em democracia e em capacidade de enfrentar e resolver problemas que a desafiam. A energia, a generosidade, a força empreendedora e o potencial criativo dos jovens é uma imensa riqueza, um imenso patrimônio que o Brasil ainda não aprendeu utilizar da maneira devida.

Parte II: Estruturando Ações de Protagonismo Juvenil

31. Qual a primeira atitude do educador ao decidir utilizar o Protagonismo Juvenil?

* A adesão do educador à perspectiva metodológica do protagonismo juvenil deve traduzir-se num compromisso de natureza ética de respeito às possibilidades e limitações próprias da condição peculiar de desenvolvimento dos seus educandos, que, no caso, é a adolescência.

32. Além do compromisso ético, o que mais deve pautar a atuação do educador?

* Um vínculo claro da ação educativa com a democracia, a solidariedade e a participação. É anti-educativo mobilizar os jovens por causas que não sejam inequivocamente democráticas. O fim político do protagonismo juvenil é justamente elevar os níveis de participação democrática da população.

33. Quais são as etapas presentes na estruturação de qualquer ação de protagonismo?

a) Iniciativa da Ação:

* Decidir se e o que deve ser feito diante de uma determinada situação-problema.

b) Planejamento da Ação:

* Definir quem vai fazer o que, como, quando, onde e com que recursos.

c) Execução da Ação:

* Por em prática aquilo que se planejou.

d) Avaliação:

* Verificar se os objetivos foram atingidos, analisar o que deu certo, o que precisa ser evitado e o que precisa ser melhorado no desempenho do grupo.

e) Apropriação dos Resultados

* Decidir coletivamente o que fazer com os resultados a quem atribuí-los e, no caso de resultados materiais e/ou financeiros, como utilizaá-los.

34. Que atitudes devem ser evitadas por parte do educador?

a) Privar os jovens de participação na decisão da ação a ser realizada.

b) Tentar “vender” para os jovens decisões já tomadas pelos adultos, sem dar-lhes opção de recusar ou propor alternativas.

c) Apresentar o problema, colher as sugestões do grupo e, depois, decidir sozinho o que fazer.

d) Deixar a decisão para o grupo, sem procurar orientar e esclarecer quando as dificuldades surgirem.

35. Quais são os padrões de relacionamento mais comuns entre adultos e adolescentes no curso de uma ação protagônica?

* Dependência:

Os educadores assumem a direção das ações, cabendo aos adolescentes apenas segui-las e obedecê-las, atuando sob sua tutela.

* Colaboração:

Educandos e educadores compartilham, através de discussões, reflexões conjuntas e decisões partilhadas todas as etapas do desenvolvimento de uma ação protagônica.

* Autonomia:

Estágio avançado de protagonismo no qual os educandos já se desimcubem de todas as etapas de uma ação protagônica sem que seja necessário o envolvimento dos educadores.

36. Como deve ser o papel do educador diante dos jovens?

a) O educador deve ajudar os jovens a identificar a situação-problema e posicionar-se diante dela.

b) Empenhar-se no sentido de que o grupo não desanime e nem se desvie dos objetivos propostos.

c) Favorecer o estabelecimento de vínculos entre os membros do grupo, fortalecendo a coesão grupal.

d) Motivar o grupo a avaliar constantemente a ação e, quando necessário, replanejá-la em conjunto.

e) Zelar permanentemente para que a iniciativa dos jovens seja compreendida e aceita por outros jovens e pelo mundo adulto.

f) Cuidar pela manutenção de um clima de entusiasmo e dedicação no interior dos grupos.

g) Colaborar na avaliação das ações desenvolvidas, ajudando os jovens a introduzir os ajustes necessários.

37. Qual deve ser o perfil básico do educador para atuar junto aos jovens em ações de protagonismo juvenil?

a) Ter convicções sólidas a respeito da importância da participação dos jovens na solução de problemas reais na escola e na comunidade;

b) Conhecer os elementos básicos da dinâmica e funcionamento dos grupos;

c) Ter algum conhecimento sobre a situação-problema a ser enfrentada;

d) Ter alguma experiência como participante ou animador de atividades de trabalho em grupo;

e) Ser capaz de administrar as oscilações de comportamento freqüente entre os jovens: conflitos, passividade, indiferença, agressividade e destrutividade;

f) Ter controle sobre seus sentimento e reações;

g) Estar aberto para acolher e compreender as manifestações verbais e não-verbais emitidas pelo grupo.

h) demonstrar-se capaz de respeitar a dignidade, o dinamismo e a identidade de cada um dos membros do grupo.

38. Por quê é importante que os jovens participem na elaboração do projeto?

* Porque, ao fazê-lo de forma democrática e participativa, a equipe juvenil adquire mais confiança em si mesma e na sua capacidade de intervir construtivamente em seu entorno social.

39. Que cuidados devem ser tomados antes de iniciar a ação planejada?

* Em primeiro lugar deve-se procurar analisar a situação sobre a qual se quer intervir, reunindo os dados e informações disponíveis.

* Em seguida, o projeto deve ser explicado pelos próprios jovens a todos aqueles que serão afetados pelas atividades a serem desenvolvidas.

40. Que perguntas básicas devem ser claramente respondidas quando se planeja uma ação protagônica?

* O que pretendemos fazer?

* Quando começará a ação e quanto temo será consumido na sua realização?

* Onde ocorrerão as atividades planejadas?

* Quem ficará responsável?

41. Pelo que em cada etapa do trabalho a ser realizado?

* Como as atividades serão organizadas e encadeadas para se atingir o fim previsto?

* Quanto, em termos de recurso materiais, financeiros e humanos será necessário para o desenvolvimento das ações previstas?

---------------------- x ------------------------


Voltar Ao Topo

4) - AGENTES JOVENS EM CAPACITAÇÃO TEÓRICA Carlos Antolini

O que é o Projeto Agente Jovem de Desenvolvimento Social?

Foi montado com base na Emenda Constitucional n.º 2, cuja proposta é de ocupação de jovens na faixa etária de 15 anos a 17 anos em situação de risco e vulnerabilidade social, que não configure trabalho, mas que possibilite, de fato, sua permanência no sistema educacional e proporcione experiências práticas que o preparem para futuras inserções no mundo do trabalho.

Como funciona?

O Projeto propicia atividades socioeducativas com as famílias, objetivando o fortalecimento dos vínculos familiares, bem como possibilidades para sua inclusão na vida sociocomunitaria. As ações visam estimular o jovem na construção de sua autonomia, por intermédio da criação de espaços e de situações propiciadoras da sua participação criativa, construtiva e solidária. Além dar oportunidades ao adolescente de ter vivências concretas, como etapa imprescindível para o seu desenvolvimento pessoal e social plenos.

Uma agente jovem em ação na comunidade

O que preciso fazer para ser um Agente Jovem?

O Projeto Agente Jovem é uma proposta da Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS) do Governo Federal destinada ao segmento juvenil, que por intermédio de um onjunto articulado de ações busca assegurar a participação ativa e efetiva do jovem na sociedade como protagonista no processo de desenvolvimento de seu meio exercício pleno de sua cidadania.

E, para ser um Agente Jovem, é preciso estar na faixa etária de 15 a 17 anos de idade, em situação de vulnerabilidade e risco social, pertencentes a famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, com prioridade para jovens que: estejam fora da escola;egressos de programas sociais; se atribui o cometimento de atos infracionais/medidas socioeducativas (egressos ou em liberdade vigiada); estejam sob medida protetiva (Art. 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA); oriundos de programas de atendimento a situações de exploração sexual.

O que é exigido de um Agente Jovem?

O Projeto baseia-se na metodologia de capacitação teórico-prática, com duração, de doze meses, sendo que a capacitação teórica compreende a carga horária mínima de 300 horas/aula e a prática, à atuação do jovem em sua comunidade.

Os agentes têm entre 15 e 17 anos de idade

A capacitação teórica compreende a abordagem de temas que despertem a auto-estima do jovem, o protagonismo juvenil, permitindo que eles entedam seu poder de transformação. Depois disso, os jovens devem atuar em suas comunidades constituídos de uma ação planejada entre a equipe técnica do gestor local e o jovem, com acompanhamento do coordenador do projeto.

A atuação do jovem deverá ser intercalada com atividades culturais, esportivas e de lazer, buscando talentos existentes nos grupos, tornando mais estimulantes e atraentes as atividades comunitárias.

É feita alguma exigência para que o jovem permaneça no projeto?

A permanência do jovem no projeto é de um ano, porém, em casos de extremo risco social, poderá o Conselho Tutelar e/ou Conselho de Assistência Social validar a permanência do jovem por mais dois anos. O desligamento do jovem sempre ocorrerá quando o mesmo completar 18 anos.

Como projeto se mantém?

O projeto é financiado pelo Governo Federal, em regime de confinanciamento, que investe R$ 1.000,00 (mil reais) ano por jovem, sendo distribuídos em cada grupo de 25 jovens. Esse recurso é utilizado para pagar a bolsa educativa do Agente Jovem no valor de R$ 65,00 por mês; a bolsa do orientador social, de R$ 200,00 por mês; e para capacitação R$ 3,1 mil por ano.

Como é feito o pagamento da bolsa educativa?

  A concessão mensal da bolsa do agente jovem dependerá da freqüência mínima de 75% na taividade de ensino na qual o jovem esteja inserido e na capacitação teórico-prática pertinente ao projeto.

Quem eu vou encontrar lá?

  A equipe é composta por um gestor local, um orientador social para cada grupo de 25 jovens e instrutores, que desenvolvem temáticas junto ao grupo. Atualmente, existem 24 grupos nos bairros: Romão, Cruzamento, Forte São João, Maria Ortiz, Consolação, Bonfim, Bairro da Penha, Jesus de Nazareth, Estrelinha, Inhanguetá, Bela Vista, Nova Palestina, Ilha das Caieiras, Resistência, São Pedro I, Conquista, Centro, Santo Antônio, Morro do Quadro/Cabral, São José/Santa Helena, Andorinhas, Itararé, São Benedito.

A gerente do projeto é Lucy Ana Nunes Borlot. Os técnicas que atuam no Agente Jovem são: Angelo Eduardo Carneiro Dias, Edna Paula Amorim, Fabíola Barbosa da Silva e Marcelo Augusto Laranja Pinto.

Mais informações: os telefones são 3382-6160 e 3382-6159.

  ---------------------- x ---------------------

  5) CRÔNICAS :

  Vocês não sabem o que é inflação?

  Meus jovens, já que vocês não sabem o que é inflação eu direi !

Eu já vi a vida desvalorizar a 80% ao mês. Hoje, não há motivos para a inflação voltar. Mas se acreditarmos nela, ela volta.

E o perigo é que tem muito especulador que ganha com ela. Ganha com a destruição do país. Com a inflação nosso trabalho se desvaloriza todo dia. Acaba nosso amor próprio. Os projetos ficam irrealizáveis.

Com a inflação o salário se dissolve em nossas mãos. Muitos privilegiados não ligam para a inflação, porque inventaram a correção monetária - a regra do demônio em que só os pobres pagam a conta.

A inflação não pode voltar. Fome zero, só com a inflação zero. A inflação é um assalto ao povo brasileiro.

Sexo com responsabilidade

Discutir educação sexual na sala de aula dá resultados. Nada daquela história de que só as garotas precisam de informação. Em uma escola de São Paulo, os professores estão ensinando aos garotos o valor da palavra responsabilidade.

"Não é somente transar, fazer amor, carinho, prazer. Tem muitas responsabilidades atrás de tudo isso", ensina o professor na sala de aula.

É preciso falar a mesma língua para tratar de um assunto que interessa muito aos adolescentes.

"Quem já levou revistinha para o banheiro, levanta a mão?", pergunta o professor.

"Jogar aberto. Não falar com meias palavras. E sempre que eles perguntarem, falar a verdade, sempre a verdade", ensina Maria Alcebíades Francisco, professora.

Há seis, essa escola da zona norte de São Paulo, levou a educação sexual para a sala de aula.

"Nosso projeto começou em 1998. Naquele ano haviam 25 adolescentes grávidas. No ano seguinte esse número já caiu para 13, no outro, o número veio para nove. Então, comprova que o trabalho está dando resultado", exemplifica Maria Alcebíades.

"Eu não tinha muita noção de algumas coisas que existiam. Amadureci bastante depois dessas aulas que a gente teve aqui na escola", conta Natanael, 14 anos.

Aqui, prevenção virou palavra de ordem. E a primeira lição é a de que a responsabilidade não é apenas das garotas.

"Quando a gente tem alguma parceira, tem que conversar com ela. Porque se ela não quiser usar, a gente tem que usar preservativo. Tem que falar com ela, conversar", diz Wellington, 15 anos.

Em um filme, eles conhecem a vida de João, um garoto que foi pai antes de deixar os brinquedos.

"Ele deixou a menina grávida, aí vai ter outros problemas. Vai ter que trabalhar cedo", recorda Gilson, 13 anos.

Para discutir o tema com os garotos, os professores foram capacitados por uma Ong que discute comportamentos ligados à sexualidade.

"Eu acho que com muito trabalho, acreditando naquilo que a gente faz, a gente consegue embutir muitos novos conceitos na cabeça deles e isso acaba transformando, né" pondera Carlos Alberto Grave, professor.

"Eu quero estudar, ser uma pessoa na vida. Aí sim eu vou pensar se eu vou querer ter filhos. É muito cedo para ter essas responsabilidades de adulto, não de jovens", diz Gilson.

Escola percussiva

O percussionista Wilson Café criou, em uma comunidade pobre de Salvador, a Escola Percussiva, trabalho que une às batidas do tambor, o prazer da educação.

Salvador, terra de muitos encantos. Mas a vista da cidade não é sempre a do cartão postal. Para quem mora no bairro Cabula 2, a realidade se confunde com a da periferia de outras capitais brasileiras.

"Quando chove entra água nas casas, inclusive na minha. E área de lazer, nenhuma. Só um campinho lá em cima do morro", conta Idália dos Santos, dona-de-casa.

Dona Idália é mãe de Jornei, um dos meninos do bairro que encontraram uma oportunidade além do campinho de futebol.

Ele é aluno da Escola Percussiva Integral, projeto social que usa a música para transformar a vida desses adolescentes.

"Quando eu toco meu instrumento, me sinto uma pessoa realizada porque quando eu via outros tocando eu queria estar no lugar deles. E hoje eu estou aqui tocando", conta Jornei, 15 anos.

"Nós educamos esses adolescentes através da percussão. É o nosso instrumento de arte-educação que aproxima os adolescentes de outras disciplinas como português, matemática, inglês e informática", comenta a assistente social Cibele de Carvalho.

Em frente a tela do computador descobrem um mundo cheio de novidades.

"Eles são super interessados. Como, para eles, isso aqui está sendo uma coisa nova, diferente, então eles vêm com todo o gás mesmo", fala a professora de informática Milene de Carvalho.

"Aqui está minha oportunidade de subir na vida e ajudar minha família, ter uma profissão boa e ser alguém", diz Bruno, 14 anos.

Na aula de artes plásticas pinta um Brasil diferente. Usam o pincel e a tinta para dar vida e cor aos sonhos muitas vezes, indecifráveis.

"Me sinto muito orgulhoso por ter feito um desenho e, depois de ter dado uma olhada, ver que eu tive capacidade de ter feito um trabalho bom", conta Alexandre, 16 anos.

"Além de desenvolver a criatividade dos alunos, tem também a sensibilidade que é muito importante. No meio da arte eles aprendem a desenvolver o lado expressivo", lembra o professor de artes plásticas Washington Melo.

"No momento em que estou fazendo arte, dá para sentir como eu estou. Se eu estou feliz, meu desenho vai ser mais alegre, com cores mais luminosas. É como se fosse uma terapia, quando você está nervoso, vai acalmando", explica Rosemar, 15 anos.

Ensinar aos alunos a importância da língua portuguesa é o objetivo da Oficina da Palavra. Aqui eles aprendem que um bom músico precisa saber se comunicar.

"Nós trabalhamos a língua portuguesa não como a escola regular trabalha. Aqui nós priorizamos o trabalho de leitura e escrita e expressão oral", explica Elcemeire de Matos, a professora da oficina.

"Português é tudo. Se uma pessoa não souber falar bem, escrever bem, como vai arrumar um emprego", pergunta uma aluna.

"A extrema carência em que eles vivem não é apenas financeira. É também emocional, familiar, social, porque falta hoje para os adolescentes um serviço social, projetos sociais que invistam seriamente na capacidade desses adolescentes", afirma a assistente social Cibele.

Maternidade e renda

A gravidez, claro, é uma perspectiva de uma nova vida. É uma ótima notícia. Mas quando ela não é esperada e os pais são jovens, pode virar um problema. Pior ainda se as famílias são de baixa renda e sofrem com a falta de oportunidades.

"Nós duas estávamos conversando, assistindo televisão, aí, de repente, do nada, eu soltei para ela: mãe, eu estou grávida", conta Michele, 18 anos.

A notícia quase sempre chega de surpresa.

"Não foi bem planejada, né. Aconteceu", diz Ana Paula, 18 anos.

A decisão envolve responsabilidade e obrigações.

"É um pouco difícil, né, porque quando o bebê está com fome, não posso fazer nada. Depois ele come, fica quietinho" , conta Francislene, 16 anos.

"Agora voltei a estudar normal. Eu vou á aula quando dá, quando minha filha está bem. Mas ela fica doentinha direto. Ela ficou internada no hospital também", fala Michele.

Elas fazerm parte da estatística que registrou 1 milhão e 400 mil adolescentes grávidas, no Brasil, em 2003.

"Pelo o que a gente tem visto, tem estudado a respeito dessas adolescentes, a maioria delas, não havia conversado com seus pais a respeito da situação", comenta Cristina Carnevali, coordenadora do projeto.

O diálogo que faltou em casa, elas encontrarm aqui no Projeto Mãe Adolescente da Brascri, Associação Suíço Brasileira de Ajuda à Criança.

"Hoje nós temos dois tipos de camisinha. O preservativo masculino, que é aquele que mais se ouve falar, e o preservativo feminino", ensina a coordenadora para as adolescentes.

"Vindo nas escolas, nós fazemos um levantamento de quantas são as meninas grávidas, menores, e convidamos para participar do projeto", esclarece Suzana Lemann, presidente da Brascri.

Uma das adolescentes, Ana Paula, conta as outras vantagens da Brascri: "A gente recebe a cesta básica. Quando a gente passa no médico, vê se eles têm remédio, a gente pode pegar aqui. Eles dão. Assim fica mais fácil, né, porque não estou trabalhando, então tem mais assistência".

Assistência e profissionalização. Na oficina de artesanato, as 33 garotas do projeto encontraram uma alternativa de trabalho e renda.

"Hoje, na situação que vive o país, é muito difícil a gente pensar em grandes profissionalizações. É preferível que essa adolescente faça alguma coisa dentro da sua casa, cuidando do seu bebê, ao lado da sua família", lembra Cristina.

Os chinelos bordados já ganharam as vitrines internacionais.

"Esse chinelo foi uma novidade. Faz muito sucesso na Europa. Nós temos enviado para a Suíça e elas recebem por par de chinelo que fazem", comenta Cristina.

"Ajuda bastante. Quando falta o leite, dá para comprar o leite, a fralda, tudo" conta Michele.

"Meu sonho é trabalhar, terminar meus estudos e dar um futuro bom para meu filho", comenta Francislene.

Gravidez em cena

A sala de aula se transforma em palco. Os jovens ensaiam na ficção, histórias da vida real.

"Você gosta de Pato Fu. Então vamos teclar em uma sala só nós dois..." diz o texto da peça que ensaiam.

Eles se conhecem pela Internet. E marcam um encontro.

"O casalzinho sai, vão para uma balada e acabam transando no carro dele, e o que acontece é que ele some e ela só sabe o apelido dele, que é Dinho. E pode ser Arnaldinho, Edinho, Fernandinho, Ronaldinho, Armandinho...", conta Anderson Lima, professor de teatro.

A peça quer levar para as escolas públicas, as consequências de uma gravidez indesejada.

"Quando a gente faz teatro profissional, a gente tem um enfoque, que é o texto, a construção do personagem e quando a gente atua em um teatro desse tipo, trabalhando com ação social, elas já estão com o personagem pronto", diz Anderson.

A maioria das jovens já é mãe. Elas se dividem entre o ensaio e os cuidados com os bebês.

"A informação chega, mas a informação chegar não quer dizer que chegou a conscientização. Então é uma coisa que tem que ser trabalhada, vivenciada", comenta Rosa Reina, professora.

"O teatro mostra cenas de uma coisa que poderia estar acontecendo na vida real. Por isso eu acho que passa mais do que uma conversa, ou uma palestra", raciocina Glauciele, 17 anos.

Simone tem 17 anos e uma filha.

"Eu era solteira, não tinha filha. Não tinha que me preocupar. Agora eu tenho, tenho que cuidar da minha filha. Ah, tudo mudou. Nada mais é igual", exclama Simone.

Ela interpreta Fernanda, que na peça tenta fazer um aborto.

"A maioria das meninas menores querem fazer aborto. Acho que tem que explicar para elas que não é tão fácil assim", diz Simone.

"O aborto traz muitas consequências, não só para a mulher como também para a criança", emenda Glauciele.

"Este trabalho tem elevado a auto-estima das meninas. A gente nota no rosto delas, nos bebês saudáveis, bonitos", observa Rosa Reina.

No estúdio Sérgio Groissman conversa com adolescentes, garotos e garotas, que tiveram filhos antes de completar 18 anos. Falam sobre responsabilidade, aborto, como evitar a gravidez, etc.

----------------------- x -----------------------

6) - GERDAU CRIA FUNDO PARA ENSINO E CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL DE JOVENS CARENTES

Ministério do Trabalho firma acordo com Eletrobrás para capacitar jovens ao mercado de trabalho

Instituto WCF Brasil trabalha como financiadora de projetos que combatem turismo sexual no país

Programa Biblioteca para Todos tem como objetivo zerar o número de municípios sem biblioteca no Brasil

Rede Mercatudo recupera material usado para vender e usa o lucro na ajuda a projetos filantrópicos

Ministério do Trabalho e Infraero criam projeto Voando para o Futuro estimulando o primeiro emprego entre jovens carentes

CIEE lança programa de ensino de computação à distância para jovens que estão fora de centros urbanos

---------------------- x -----------------------

7) - ALERTA TRÊS MILHÕES DE CRIANÇAS EUROPÉIAS PADECEM DE OBESIDADE

23/06/2005 - 09:46:20 Redação Terra

Três milhões de crianças européias padecem de obesidade, doença que pode gerar graves problemas de saúde, revela um estudo da Associação Médica Britânica (BMA).

O relatório faz um chamado à comunidade médica e aos governos para que sejam tomadas medidas drásticas contra a obesidade, pois as crianças que sofrem com ela têm risco de desenvolver problemas de coração, cólon e fígado, além de doenças próprias dos adultos como o diabetes do tipo dois.

O estudo também revela que a obesidade nas crianças aumentou em cerca de 85.000 casos no último ano na Europa, motivo pelo qual a situação é "pior do que se pensava", explicou Sam Everington, vice-presidente da BMA.

Ele lembrou que, além dos riscos para a saúde, a obesidade provoca "grandes problemas psicológicos" nas crianças.

"Em uma sociedade na qual as modelos são extremamente magras, podemos imaginar a falta de auto-estima que as crianças sofrem ante o excesso de peso", afirmou o vice-presidente.

Vivienne Nathanson, porta-voz da associação britânica, afirmou que a obesidade afeta de "maneira muito significativa" a esperança e a qualidade de vida dos menores.

O Reino Unido é um dos países com o maior número de menores obesos da União Européia. Um terço das três milhões de crianças européias com excesso de peso é britânico.

-------------------- x ----------------------

8) - CHINA TEM CENTRO DE TRATAMENTO DE VICIADOS EM WEB - 05/07/2005 - 11:02:05 Redação Terra

O governo chinês abriu em Pequim a primeira clínica oficial do país para reabilitação de viciados em Internet. O centro de recuperação dos aficionados pela web ocupa o último andar de um prédio comercial no centro da capital chinesa, e conta com onze médicos para atender aos pacientes.

A grande maioria deles é de jovens entre 11 e 24 anos, que se apresentam dizendo seus nomes e confirmando que amam loucamente passar horas ininterruptas na Internet. Seus problemas são os mais variados possíveis: há desde os viciados em games online até os que não conseguem deixar de passar horas acessando sites pornôs.

Eles utilizam a Web para combater o estresse do dia a dia, mas como exageram, acabam tendo problemas como insônia e má alimentação. Com cerca de 94 milhões de pessoas online, a China tem a segunda maior população de internautas do mundo. Fica somente atrás dos Estados Unidos.

O forte e contínuo crescimento da economia do país aumentou o acesso de seus habitantes à rede mundial de computadores.

--------------------- x --------------------

9) - BREVE HISTÓRICO DO COLETIVO DE CRIANÇAS, ADOLESCENTES E JOVENS DO ESTADO DE SÃO PAULO

“Ser sujeito significa tomar parte ativa nos processos e não simplesmente submeter-se aos acontecimentos e às decisões de outros, como um mero objeto. Portanto, a criança enquanto sujeito significa que todas as decisões tomadas a seu respeito devem levar em conta seus interesses específicos, abrindo espaços para que ela expresse seu ponto de vista e participe dos processos decisórios”.

Livia deTomazzi , autora da tese de doutorado "Em Busca da Identidade - As Lutas em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente no Brasil e a Questão da Participação", pela Universidade de Paris.

Obstrução dos canais de discussão?

O Coletivo de Crianças, Adolescentes e Jovens do Estado de São Paulo é um grupo que reúne crianças, adolescentes, jovens e educadores de diversas cidades do estado, principalmente aqueles originários da capital paulista e Região Metropolitana.

O coletivo teve a sua origem em 1999, quando um grupo de crianças, adolescentes e educadores de diversas entidades reuniram-se para discutir a importância de organizar um ato publico que marcasse o 9º Aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (comemorado em 13 de julho). A proposta, naquela ocasião, era juntar as diversas experiências das organizações sociais em uma grande exposição pública, e que isso ocorresse em um local aberto – na época, foi escolhido o Vale do Anhagabaú, localizado na região central da cidade de São Paulo – e que tivesse as crianças e os adolescentes como os principais personagens do evento, tanto na condução, quanto na apresentação das atividades. Esse Ato foi chamado de Ato Publico Lúdico: vale o escrito?.

Com o êxito dessa atividade e o convencimento dos diversos grupos que integraram sobre a importância do evento, foi sugerida, na ocasião, a participação dos meninos e meninas nas conferências dos direitos da criança e do adolescente (nas três esferas), uma vez que elas têm o objetivo de discutir e avaliar as políticas para o público infanto-juvenil. Na época, decidimos fazer conferências paralelas com crianças e adolescentes, denominadas de lúdicas, onde crianças e adolescentes seriam protagonistas de todo o processo.

Organizamos também a I Conferência Estadual de Meninos e Meninas, que reuniu 450 crianças e adolescentes de cinco cidades. Ficou decidido nessa conferência que haveria a participação de um grupo na Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente oficial. Nessa última, foi acordado que dois adolescentes participariam da Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A participação desses dois membros na Conferência Nacional resultou na proposta – feita por iniciativa deles – de que ocorressem, além das conferências para meninos e meninas, respeitando suas especificidades, a representação desse público nas conferências dos direitos, realizadas nas três esferas. A proposta resultou na aprovação da Resolução 179, da III Conferência de 1999.

Nos anos seguintes, a proposta de participação infanto-juvenil nas conferências foi tomando corpo no Brasil, principalmente em São Paulo , que foi o primeiro estado a organizar as conferências lúdicas. Começamos então, a discutir como crianças e adolescentes participariam dos espaços que lhe diziam respeito.

Obstrução dos canais de discussão?

Em 2001, na IV Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo, ocorreram as conferências lúdicas em 18 cidades, sendo que a maior referência foi capital paulista, onde se reuniram quase oito mil meninos e meninas nas diversas regiões.

Na Conferência Lúdica Estadual, reunimos mais de mil crianças e adolescentes de 25 cidades do estado – não utilizamos o critério das cidades que organizaram Conferências Lúdicas, para que pudéssemos ter maior participação e divulgar para as cidades que não tiveram Conferências, com vistas nas próximas Conferências. Novamente um grupo participou da Conferência Estadual e foi tirado, naquela ocasião, uma delegação de 21 adolescentes, para participar da Conferência Nacional.

A partir da experiência de Brasília, o grupo de adolescentes avaliou que sua organização precisaria ter mais efetividade. Discutimos e chegamos à conclusão de que seria importante a organização de um movimento de meninos e meninas – oriundos das mais diversas regiões, entidades e característica social – organizados para levar a mensagem do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nos diversos espaços da sociedade (escolas, associações de bairros, grêmios, partidos políticos, etc.). Nessa ocasião o Coletivo, consolidou-se enquanto movimento organizado e heterogêneo de crianças, adolescentes, jovens e educadores.

Desde então, o grupo vem participando de diversas discussões, relativas ao tema. No inicio de 2002, o Coletivo decidiu, em reunião, alterar a sua definição que, a princípio era apenas de Crianças e Adolescentes. Isso aconteceu por causa da mudança de fase de alguns dos membros, que saíram da adolescência e entraram na juventude, mas que continuavam no movimento. A partir daí, acrescentou-se o termo Jovem e o grupo passou a ser chamado de Coletivo de Crianças, Adolescentes e Jovens.

Durante todo o ano de 2003, o Coletivo buscou construir o projeto que nortearia a sua ação e construção. Foram realizados dois encontros: o primeiro em fevereiro e o segundo em outubro. O pouco tempo e a ausência de recursos prejudicaram a organização do encontro e a participação efetiva dos membros. Definimos então, na última reunião, que realizaríamos até junho de 2003 o encontro, para não atrapalhar as conferências que aconteceram naquele mesmo ano. O Encontro aconteceu nos dias 6,7 e 8 de Junho, com a participação de 100 crianças e adolescentes de 23 cidades. Algumas propostas que foram retiradas do Encontro:

- Construção do Coletivo em nível estadual;

- Participação de todos nas conferencias lúdicas;

- Monitoramento das propostas das conferências;

- Participação ativa do Coletivo, durante o ano de 2003, na organização das Conferências Lúdicas e oficial dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Na Conferência Nacional, entretanto, não havia consenso novamente sobre a forma de como se deveria dar a participação das crianças e adolescentes, ao final da conferência depois de dialogar com as diversas representações do Brasil, o adolescente Gabriel Simeoni, do Coletivo, apresentou a proposta de como deveria ser essa participação nas conferências, que foi aprovada pela plenária da V Conferência Nacional.

No ano de 2004, o Coletivo realizou reuniões de organização e participou de encontros, seminários e atividades diversas que tiveram como foco o ECA e sua implantação. Ficou indicada para março deste ano a realização de uma grande reunião, que teria como finalidades a elaboração da agenda de 2005 e a concepção de uma estratégia de participação do Coletivo no processo de construção das conferências lúdicas e oficiais. O Coletivo tem a participação de adolescentes e jovens de diversas cidades da região metropolitana, mantendo contato permanente com adolescentes do interior e outros estados do Brasil, buscando contribuir na construção de uma nova cultura no trato com a criança e o adolescente, tendo como agentes as crianças, adolescentes, jovens e educadores e enquanto estratégia de sua ação a divulgação e a luta pela implantação do novo direito da infanto-adolescência.

Givanildo Manoel da Silva é educador e coordenador geral do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, de São Paulo, e um dos incentivadores da criação do Coletivo.

 ----------------------- x -------------------------

10) - A ACADEMIA EDUCAR

Desde 1990 a Fundação DPaschoal realiza projetos dedicados à adolescentes, estimulando o protagonismo juvenil e o exercício da cidadania. O projeto inicial nesta área chamava-se Programa de Desenvolvimento para Menores (PDM) e seu público alvo era os filhos de funcionários da Dpaschoal.

Mas a idéia deste programa foi crescendo e em 2002 finalmente foi criada a Academia EDUCAR.

A Academia EDUCAR nasceu com o objetivo de despertar o potencial inovador e transformador nos adolescentes por meio do autoconhecimento e da identificação de suas capacidades. Sua finalidade é, portanto, ensinar o adolescente a pensar para que ele possa concretizar intervenções que resultem em mudanças sociais.

Para participar do projeto os adolescentes passam por um rigoroso processo seletivo, a fim de que sejam identificadas qualidades como liderança, autonomia e interesse social. Os candidatos, que necessitam ter idade entre 13 e 18 anos, devem procurar a Academia em novembro para inscrição; para tanto não são feitas quaisquer restrições, basta apenas que o jovem se adeque ao perfil procurado. As oficinas e dinâmicas do processo seletivo são realizadas no mês de janeiro. Para se ter uma noção da procura, em 2004 havia 240 inscritos; 38 foram aprovados e estão participando da Academia atualmente.

As atividades iniciam-se em fevereiro, estendem-se por todo o ano e terminam em dezembro. Durante este período os jovens selecionados participam de oficinas diárias, das 14:00 às 17:00 horas, quatro dias por semana.

Procura-se desenvolver ao longo do curso o aprendizado dos adolescentes baseando-se em sete eixos de aprendizado:

1. Educar para ter: autocuidado, autoconfiança, auto-estima e vivência de valores.

2. Educar para conviver com: cuidado (preocupação com o outro), participação, percepção de mundo e comunicação.

3. Educar para aprender e conhecer: curiosidade, autodidatismo e raciocínio lógico.

4. Educar para a responsabilidade: compromisso e significado das ações.

5. Educar para ensinar: sensibilidade, comunicação e compreensão do outro.

6. Educar para fazer acontecer: desenvolver visão estratégica, capacidade de planejamento e resolução de problemas, automotivação e apropriação de resultados, pró-atividade e resiliência.

7. Educar para sonhar: inovação e empreendedorismo.

Tendo em vista estas temáticas, o programa é dividido em duas etapas: uma de formação e outra de ação.

Na primeira etapa, que acontece no primeiro semestre, o foco das atividades é o conhecimento, pelo próprio jovem, de suas potencialidades e da sociedade em que vive. Em um primeiro momento são realizados trabalhos para fortalecer a auto-estima, a fim de que o adolescente enfrente seus problemas e para que possa, futuramente, atuar positivamente na sociedade, inclusive impondo sua perspectiva de mundo, não apenas aceitando o que lhe é dado. Em um segundo momento, procura-se mostrar ao jovem o que é e como funciona a sociedade da qual faz parte; estão presentes no programa aulas de história, de geografia e de política, por exemplo, além de visitas à prefeitura, fóruns da cidade, etc.

Mas é a partir do segundo semestre, quando se inicia a segunda etapa do programa, que o adolescente começa a colocar as suas idéias em prática. Enquanto a EDUCAR se encarrega de oferecer a metodologia necessária para a implementação dos projetos (desde a sua formatação, identificação da demanda até a sua realização, incluindo maneiras de captação de recursos) cabe ao jovem a implementação dos projetos de intervenção social que acreditem relevantes. Vale ressaltar que a fundação EDUCAR não financia os projetos idealizados pelos membros da Academia pois o objetivo é que o próprio jovem ganhe autonomia e obtenha o apoio da comunidade de maneira a viabilizar a realização dos projetos. Por esta razão, os jovens são estimulados a ser: líderes de mudanças positivas; protagonistas de novas idéias; empreendedores de ações sociais; críticos e multiplicadores dos seus conhecimentos. Puro exercício de cidadania.

Ao final de todo este processo, os seis jovens que mais se destacaram são escolhidos para trabalharem como educadores juvenis, auxiliando nos trabalhos com a próxima turma. Neste sentido a Academia funciona como uma incubadora e faz com que o programa tenha sempre uma “cara nova”, contribuindo para a reciclagem dos conteúdos e formas de trabalho.

Contato

Telma Lucia Lomonico Ramos – coordenadora da Academia EDUCAR

Rua Maria Bibiana do Carmo, 305 – Pq. Industrial – Campinas, SP

Telefone: (19) 3272-0444

Site: www.educar.com.br

 --------------------- x -----------------------

11) DEPRESSÃO JUVENIL

Ao partir para sua primeira experiência como escritor, o médico psiquiatra Guido Boabaid May não escolheu para protagonista de seu livro, “Ana Maria Está Feliz!”, uma adulta machucada pela vida, mas uma jovem de 19 anos linda, de boa família, moradora da ensolarada Florianópolis e deprimida.

“Isso foi para reforçar que a depressão não escolhe idade ou classe social e, mais ainda, que a juventude está cada vez mais pressionada pela idéia do sucesso”, explicou o médico em entrevista por telefone ao Tribuna Teen.

O livro vem acompanhado de um CD trilha sonora, com a participação de Débora Blando, Guilherme Ribeiro e Kiko Zambianchi.

“Livros com CDs já foram publicados, mas um CD trilha sonora em que algumas músicas citam trechos do livro é inédito”, salienta Guido.

A capa de “Ana Maria Está Feliz” é de Renata e Rita Zingone, designers da revista Trip. Com uma linguagem leve e solta, o livro vai fundo em um assunto sério, que já representa a quinta maior doença do mundo: a depressão.

“Apesar de fictícia, a história de Ana Maria é a realidade de muitos jovens que atendo em meu consultório”, diz Guido. A cada capítulo vai ficando cada vez mais explícita a importância do bem-estar do indivíduo consigo mesmo, com a vida e com tudo o que lhe rodeia.

Através da protagonista da história, Ana Maria, Guido descreve o atual universo de garotos e garotas que vivem nas baladas, convivendo com as drogas, trocando de pares, em conflitos com os pais e indecisos na escolha profissional. Leia mais sobre Ana Maria e a depressão na entrevista que segue.

• ANA MARIA ESTÁ FELIZ! – Livro-CD de ficção do psiquiatra Guido Boabaid May.

----------------------- x --------------------------

12) - FUNDO POSSIBILITA QUE ESTUDANTES ABRAM EMPRESAS NO ESTADO - 12/07/2005 - 10:36:18 Redação Gazeta Rádios e Internet

As inscrições para o Fucape Investimentos e Participações, que vai viabilizar financeiramente os melhores planos de negócios dos alunos da Fucape Business School (Fucape/FDV), devem ser realizadas até a próxima sexta-feira. A primeira edição do projeto vai disponibilizar o montante de R$ 100 mil aos vencedores. Também podem participar estudantes de outras faculdades, desde que de forma acionária, estratégica e minoritária.

As inscrições poderão ser feitas na sede da Fucape, localizada na avenida Fernando Ferrari, em Vitória. O candidato deverá preencher um protocolo de entrega do plano de negócio e estar munido com os seguintes documentos: RG; CPF; comprovante de residência; comprovante de matrícula na Fucape Business School (Fucape/FDV); comprovante de graduação para alunos já formados.

Os planos de negócios deverão conter, no mínimo, as seguintes informações: escopo do negócio; contexto estratégico; plano estratégico; modelo de gestão; plano de marketing; orçamento e fluxo de caixa projetado. A seleção dos projetos se dará em três etapas. A 1ª será a análise prévia dos planos por parte dos avaliadores; a 2ª, avaliação dos planos já reajustados, prevista para o mês de agosto; e, a 3ª, apresentação dos planos. O resultado final será divulgado no dia 27 de outubro de 2005.

------------------------ x ---------------------------

13) - PROJETO AGENTE JOVEM DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E HUMANO

http://www.mds.gov.br/programas/programas07.asp

O que é ?

Ação de assistência social destinada a jovens entre 15 e 17 anos, visando ao desenvolvimento pessoal, social e comunitário. Proporciona capacitação teórica e prática, por meio de atividades que não configuram trabalho, mas que possibilitam a permanência do jovem no sistema de ensino, preparando-o para futuras inserções no mercado. O MDS concede, também, diretamente ao jovem, uma bolsa durante os 12 meses em que ele estiver inserido no programa e atuando em sua comunidade.

Objetivos

- Criar condições para a inserção, reinserção e permanência do jovem no sistema de ensino;

- Promover sua integração à família, à comunidade e à sociedade;

- Preparar o jovem para atuar como agente de transformação e desenvolvimento de sua comunidade;

- Contribuir para a diminuição dos índices de violência, uso de drogas, DSTs e gravidez não planejada;

- Desenvolver ações que facilitem sua integração e interação, para quando estiver inserido no mercado de trabalho.

Público-alvo

Jovens com idade entre 15 e 17 anos nas seguintes situações:

- que, prioritariamente, estejam fora da escola;

- que participem ou tenham participado de outros programas sociais (medida que dá cobertura aos adolescentes e jovens oriundos de outros Programas, como o da Erradicação do Trabalho Infantil, também promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome);

- que estejam em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social;

- que sejam egressos ou que estejam sob medida protetiva ou socioeducativa;

- oriundos de Programas de Atendimento à Exploração Sexual Comercial de menores;

* 10% das vagas de cada município são necessariamente destinadas a adolescentes portadores de algum tipo de deficiência.

Como funciona

A partir das demandas de Estados e municípios, o governo federal analisa, discute prioridades, orienta sobre a seleção dos jovens e formaliza a instalação do Programa. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) responsabiliza-se pelo treinamento nas áreas de saúde, cidadania e meio-ambiente, financiando 300 horas-aula com capacitadores e orientadores sociais. O MDS concede, também, diretamente ao jovem, uma bolsa durante os 12 meses em que ele estiver inserido no programa e atuando em sua comunidade.

Capitais e municípios com grande concentração de jovens em situação de risco, associado ao baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são prioritários para a implantação do Agente Jovem.

Valor do benefício

Bolsa no valor de R$ 65,00 (sessenta e cinco reais).

Contrapartidas/Condicionalidades

Para receber a bolsa, é preciso que:

- O jovem esteja regularmente cadastrado; e

- participe, no mínimo, de 75% do total de aulas na escola e das atividades previstas no Programa.

Responsável pelo Projeto Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano

José Eduardo de Andrade

E-mail: protecaosocialbasica@mds.gov.br

Telefones: (0**61) 226-8336 ou (0**61) 313-1547

------------------ x --------------------------

14) - SAÚDE JOVEM NA REDE

www.ipas.org.br

Usar a internet como um instrumento de pesquisa e como meio de divulgação de informações sobre a saúde e a sexualidade dos jovens brasileiros. Esse foi o objetivo do projeto Jovens na Rede, desenvolvido por professores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, em parceria com a organização não-governamental Ipas, que promove ações na área de direitos sexuais e reprodutivos.

O projeto foi implementado no Rio de Janeiro nos anos de 2003 e 2004 e teve duração de 17 meses. Durante esse período, foram entrevistados estudantes de cinco escolas públicas na faixa de 12 a 18 anos. Os alunos pesquisados foram selecionados de acordo com critérios de gênero, idade e etnia.

A intenção do estudo era utilizar a web como uma ferramenta metodológica de pesquisa em lugares que não possuíam muita infra-estrutura tecnológica. As escolas receberam computadores, para que os alunos pudessem responder usando a internet as perguntas do estudo sobre suas vidas e sua saúde. Na medida em que os alunos terminavam de responder, tinham a possibilidade de aprender sobre temas de saúde através da internet.

Segundo a coordenadora do projeto nos EUA, Ellen Mitchell, além de ser um meio mais barato, a internet permite uma flexibilidade e uma segurança para os pesquisados que nenhuma outra ferramenta de pesquisa oferece. O projeto foi uma oportunidade de explorar temas sexuais e de saúde reprodutiva complexos utilizando um meio que os jovens dominam. “A internet é vista como um espaço de liberdade e sinceridade para os jovens, um lugar mais seguro, onde eles podem expressar suas dúvidas, opiniões, interesses valores e esperanças sem precisar se identificar”, afirma Mitchell.

O estudo defende que saber ouvir e entender as perspectivas dos jovens é um ponto de partida para enfrentar os dilemas que eles enfrentam atualmente. O projeto pretende servir de subsídio e encorajamento aos ministérios da Educação e da Saúde, assim como aos pais e às organizações não-governamentais do país, para o fornecimento de respostas eficazes em termos de diretrizes, orientação e programas de prevenção e intervenção para atender às necessidades da juventude.

No Rio, o projeto enfrentou várias dificuldades, como problemas de infra-estrutura e burocracia das escolas públicas estaduais e federais. Greves e más condições dos prédios onde funcionam as escolas foram alguns dos problemas típicos do ensino público brasileiro que o projeto teve que superar. Outro grande problema foi a evasão escolar. Segundo Mitchell, pelo menos 30% dos pesquisados tiveram que abandonar o estudo por não freqüentarem mais a escola, pelos motivos mais variados.

Demanda por mais informações na área

A pesquisa constatou que existe uma grande demanda dos adolescentes por informação sobre sexualidade – 97% dos alunos querem saber mais –, uma vez que fazem parte de sua realidade problemas relacionados a esse tema. Segundo o estudo, 45% dos adolescentes têm colegas que fizeram aborto e 70% conhecem alguém da mesma idade que esteja grávida. São números que comprovam a necessidade de uma política educacional sobre sexualidade voltada para os jovens brasileiros.

O estudo revela que os estudantes ainda encontram obstáculos ao acesso a serviços e informações importantes relacionados à saúde. Eles mostram confusão a respeito da legislação nacional sobre o aborto, contracepção de emergência e muitas nuances da sociedade relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. Além disso, os jovens relatam que existem políticas locais da cidade do Rio que criam barreiras para o acesso a métodos preventivos. A distribuição de camisinhas na cidade do Rio de Janeiro só é permitida através dos postos de saúde, o que dificulta o acesso aos métodos contraceptivos. Além disso, a contracepção de emergência não é distribuída gratuitamente pelo município.

O projeto foi finalizado em 2004 e está em fase de disseminação de resultados e reflexão. Segundo Ellen, há um interesse da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e da Unesco no acesso à metodologia utilizada e aos resultados obtidos no estudo.

Principais problemas dos jovens nas escolas

O estudo mostrou que os jovens cariocas possuem uma maior conscientização dos perigos do HIV e da gravidez precoce, quando comparados com jovens em outros países. No entanto, a presença de gangues, intimidação sexual e discriminação continuam a ser os principais problemas enfrentados pelos adolescentes na escola. Esse fato reflete uma necessidade de um esforço maior para melhorar o ambiente escolar de minorias sexuais e de jovens que não atendem aos critérios rígidos de beleza.

Além disso, os jovens precisam enfrentar outras questões, como a violência urbana e a exposição às drogas. De acordo com com eles, a violência diária afeta suas vidas, influenciando e até determinando o que eles fazem e quando eles saem.

Outra grande preocupação dos adolescentes é a qualidade da educação e a falta de perspectivas no mercado de trabalho. Para eles, a falta de melhores condições educacionais é um fator determinante para o seu envolvimento com drogas, crimes, sexo comercial e gravidez não desejada.

Impacto da pesquisa sobre o conhecimento dos jovens sobre saúde e sexualidade

Muitos participantes relatam que após o estudo adquiriram maior autoconhecimento, além de terem desenvolvido o pensamento crítico e habilidades de comunicação e informática. A maioria dos alunos (59%) disse ter aprendido algo sobre formas diferentes de evitar e lidar com a gravidez não- desejada e sobre a utilização da internet como forma de obter informações sobre saúde e sexualidade. Segundo eles, a participação no programa os tornou mais conscientes dos riscos envolvidos na relação sexual sem proteção.

Participaram do estudo a Escola Técnica Estadual República, de ensino médio, e a Escola Estadual de Ensino Fundamental República, ambas da rede Faetec; o Colégio de Aplicação da UFRJ e duas Escolas de Informática e Cidadania, mantidas pelo Comitê para Democratização da Informática (CDI) e que atende alunos das escolas públicas estaduais. Além do Rio, Nairóbi, no Quênia, também implantou o projeto em suas escolas da área urbana.

Joana Moscatelli

--------------------------- x --------------------------

15) - PESQUISA APRESENTA RANKING DE MÍDIA JOVEM

30 de junho de 2005 do clipping da ANDI

No relatório A Mídia dos Jovens 2002-2004, lançado no dia 20 de junho em São Paulo , o suplemento Caderno Dez! está em primeiro lugar em um ranking quanti-qualitativo realizado com 26 suplementos e cinco revistas direcionadas ao público juvenil. O estudo foi realizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e o Instituto Votorantim, com o apoio do Instituo Ayrton Senna e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Em 2002, o Dez! estava em 4º colocado, descendo para 5º no ano seguinte e saltando para 1º, em 2004. O levantamento foi divulgado durante a Oficina de Interação de Jornalistas e Fontes de Informação: Juventude como foco nas políticas públicas e na mídia.

Dentre os assuntos do encontro, esteve a discussão sobre os desafios e dificuldades enfrentados pelas editorias de mídia jovem para fazer um jornalismo abordando temas socialmente relevantes.

Metodologia - Para construção do ranking, a pesquisa levou em consideração, além da quantidade e qualidade das matérias de relevância social, questões como diversidade de fontes consultadas – família, adolescente, adolescente protagonista, equilíbrio entre meninos e meninas –, seção de cartas, editor e equipe exclusivos, colunas com consultor fixo, realização de pautas pouco exploradas e referências ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Devemos reconhecer a avaliação como um elemento para a construção de um jornalismo de qualidade”, define o diretor-editor da ANDI, Veet Vivarta.

Confira a classificação:

1º) Caderno Dez! – Jornal A Tarde-BA

2º) Folhateen – Folha de S.Paulo-SP

3º) Megazine – O Globo-RJ

4º) Fun – Gazeta do Povo-PR

5º) Papo Cabeça – Correio da Paraíba-PB

Fonte: A Tarde-BA – Andréa Lemos (23/06)

-------------------------- x ----------------------------

16) - DO PROTAGONISMO AO EMPREENDEDORISMO SOCIAL

Rui Mesquita

Desde de 1995 venho atuando e trabalhando diretamente como um jovem inserido nos movimentos sociais da juventude, e nestes oito anos tenho percebido, com grande satisfação, que muitas ONGs vêm voltando seus programas para estimular o protagonismo juvenil. Neste início de século percebo que uma determinada parte daqueles adolescentes da década de 1990 que participaram de tais programas, hoje jovens já formados e conscientes do mundo ao seu redor, vão além do protagonismo em si, chegam a ser verdadeiros empreendedores sociais, interferindo diretamente na sociedade através de suas próprias propostas, provocando e inspirando mudanças nas relações sociais ao seu redor.

Mas o que significa de fato ser um protagonista? A palavra protagonista é formada por duas raízes gregas: “PROTO”, que significa o primeiro, o principal, e “AGONISTES” que significa o lutador. No dicionário Aurélio, encontra-se a definição: “pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar em um acontecimento”. Com isso, podemos melhor tentar entender o protagonismo juvenil.

Segundo o Grupo Interagir , de Brasília,

“O Protagonismo Juvenil significa, tecnicamente, o jovem participar como ator principal em ações que não dizem respeito à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a problemas relativos ao bem comum, na escola, na comunidade ou na sociedade mais ampla. Outro aspecto do protagonismo é a concepção do jovem como fonte de iniciativa, que é ação; como fonte de liberdade, que é opção; e como fonte de compromissos, que é responsabilidade”.

Essa percepção de que a juventude pode e deve protagonizar ações frente ao mundo e a sua própria realidade é muito importante, principalmente por ser uma forma de conscientização e educação juvenil que se dá não pelo ensinamento dos livros ou das palavras, mas pelo aprender fazendo, com o jovem ocupando uma posição de centralidade no processo.

E dentre esses jovens protagonistas sociais, alguns acabam também atuando como verdadeiros indutores de mudanças sociais. Isso ocorre, pelo que tenho observado, geralmente quando eles, a partir da sua consciência crítica e visão de mundo como protagonistas sociais, passam a criar propostas reais de intervenção social, que geralmente se materializam em novos grupos, iniciativas, projetos ou organizações sociais, propositoras de novas metodologias de intervenção, nos mais diferentes campos de atuação social (na família, no bairro, na cultura, no meio-ambiente, no desenvolvimento etc.). Pelo seu temperamento contestador de padrões previamente estabelecidos, por suas inquietudes, capacidade criativa e ânimo para promover transformações, percebo que esse jovem empreendedor social vem contribuindo para mudanças nas relações sociais.

Essa transição do ser ‘protagonista social' para o ser ‘empreendedor social' é algo sutil e que ainda não chega a ser fortemente percebido, e até discutido, com clareza, inclusive pelas próprias ONGs que estimulam o protagonismo juvenil. E por tal ainda não há de forma organizada e massificada muitos programas de apoio a jovens empreendedores sociais neste início de século. O próprio termo ‘empreendedorismo social' ainda não é muito bem disseminado e discutido pela ONGs e pelos movimentos sociais, e sua interpretação chega a ser muitas vezes dúbia e confusa. As práticas que vêm sendo adotadas na Academia de Desenvolvimento Social , ONG a qual me dedico e que ajudei a fundar lá em 1999, na cidade do Recife, podem estar trazendo alguns indicativos de que esse tipo de jovem que já superou o perfil de um protagonista social para o perfil de um empreendedor social já pode contar com um programa de apoio às suas iniciativas de transformação social, mesmo que ainda de forma embrionária.

Mas o que significa de fato ser um empreendedor? E empreendedor social? No senso comum, ser um empreendedor é associado com a criação de um negócio privado, mas, no mínimo, essa é uma forma pobre de se aplicar tal termo. O termo "empreendedor" surgiu na França por volta dos séculos XVII e XVIII. Em francês, significa: aquele que se compromete com um trabalho ou uma atividade específica e significante. Desde então o termo tem sido basicamente utilizado através de um olhar meramente economicista, com forte viés de uso para a geração de valor econômico e para a exploração das oportunidades de mercado.

Já o empreendedor social, segundo Gregory Dees , “é uma das espécies do gênero dos empreendedores. São empreendedores com uma missão social. Os empreendedores sociais têm o papel de agentes de mudanças no setor social”. Nesta visão a noção de empreendedorismo social não possui nenhum viés economicista, pelo contrário, como o próprio termo aponta seu viés é social, ou seja, fincado nas questões da sociedade e das relações sociais. E é justamente neste campo que os empreendedores sociais atuam com seus grupos, iniciativas, projetos e organizações.

Dees ainda aponta cinco características básicas, comuns aos empreendedores sociais:

1) “Adotar uma missão de gerar e manter valor social (não apenas valor privado)”;

2) “Reconhecer e buscar implacavelmente novas oportunidades para servir a tal missão”;

3) “Engajar-se num processo de inovação, adaptação e aprendizado contínuo”;

4) “Agir arrojadamente sem se limitar pelos recursos disponíveis”;

5) “Exibir um elevado senso de transparência para com seus parceiros e público e pelos resultados gerados”.

Ao ler tais características podemos perceber melhor as diferenças entre o ‘ser protagonista' e o ‘ser empreendedor social', e até estabelecer alguns pontos que evidenciam tais diferenças.

Uma das grandes características do protagonista social é o seu nível elevado de consciência frente ao mundo e a realidade ao seu redor. Apesar disso o protagonista não possui necessariamente uma missão social central e explícita na sua vida, ou na do seu grupo, que reja os caminhos a serem percorridos, como normalmente ocorre com o empreendedor social.

Outra importante característica do protagonista social é a sua ativa participação na sociedade, através dos meios já existentes e nas mais variadas instâncias sociais (a família, a escola, o bairro, a cidade, o país, o grupo afim etc.). Já o empreendedor social, além de participar dos meios já existentes de participação, também busca, se for o caso, criar novos meios e maneiras de participar e ajudar outras pessoas a também participarem ativamente da sociedade, sempre de maneira a naturalmente servir sua missão de transformação social.

O protagonista social não necessariamente dedica a absoluta maior parte do seu tempo e da sua energia, inclusive de trabalho, na sua atuação de participação, conscientização e mobilização social. Muitas vezes divide esta atuação com uma atividade profissional paralela, que lhe gere meios financeiros e materiais de sustento econômico. Já o empreendedor social geralmente busca não dividir seu tempo e sua energia em atividades paralelas. Mesmo que elas ainda assim possam existir em determinados momentos, sua gana é poder sustentar suas necessidades materiais básicas através da sua dedicação às atividades que o levem a sua missão, juntamente com seu grupo, sem pretensões de acumulação material progressiva.

O que percebo com tudo isso é que todos os empreendedores sociais são naturalmente protagonistas sociais, sem que o oposto seja necessariamente verdadeiro. Os empreendedores sociais, além de protagonizarem importantes papéis na sociedade, também buscam provocar verdadeiras mudanças sociais a partir das suas inquietações enquanto seres humanos.

E apesar de hoje podermos identificar claramente várias pessoas que se enquadram como empreendedores sociais, nos mais diferentes campos de atuação social e espaços geográficos ao redor deste planeta, ainda há muito que se discutir e se fazer para que se multipliquem iniciativas e programas de apoio e suporte ao empreendedorismo social jovem, a começar pelo próprio debate do tema, que ainda gera muitas controvérsias e dúvidas, e pela observação das raras iniciativas que hoje existem de apoio a jovens que transpassaram o seu protagonismo e começam a empreender socialmente, na busca da construção de um novo mundo, mais justo e mais solidário.

Mobilização social e a juventude na linha de frente

Com esse sugestivo título, o painel que abriu as atividades deste 26 de novembro da Expo Brasil discutiu o papel da mobilização social no desenvolvimento local. O moderador da mesa, Dalberto Adulis, Coordenador de Comunicação ABDL e assessor para Projetos Especiais da parceria Rits/ABDL, dividiu a apresentação em duas partes, com intervalos para perguntas da platéia, que lotou o auditório.

Rui Mesquita e Antônio Nascimento, consultores da Fundação Kellogg, falaram sobre a experiência da entidade. A Kellogg passou a adotar, a partir de 1999, uma orientação voltada para o apoio a um conjunto articulado de projetos, com foco na questão da juventude. Segundo Mesquita, o rompimento do ciclo de pobreza tem foco na atuação dos jovens voltada para o desenvolvimento humano. “Mas não o jovem como público-alvo exclusivo, e sim como ator da iniciativa. É a juventude na linha de frente, como proprietária e criadora”, afirmou.

Segundo ele, a Kellogg adota como referenciais estratégicos básicos o fortalecimento do capital social focado em liderança e fortalecimento institucional, o desenvolvimento do capital humano (com ênfase na educação formal e informal) e a geração de renda, principalmente pela própria comunidade. Respondendo a uma intervenção da platéia, Mesquita destacou ainda que existe uma grande dificuldade de projetos desenvolvidos por grupos de jovens obterem financiamento. “É o xis da questão: não há fonte de financiamento para a juventude no Brasil, e ela precisa levantar a voz”.

Em seguida, Ilana Cunha, do Instituto Aliança, fez uma rápida apresentação sobre o que é e em que se fundamenta a mobilização social. “Não é só desenvolvimento econômico, mas uma ação coletiva que pressupõe mudança cultural e estrutural que ocorre gradualmente, de dentro para fora e de baixo para cima”, disse. Segundo ela, é necessário que haja participação das comunidades e visão mobilizadora.

Antonio Lino, da Agência Aracati de Mobilização Social (Aracati), acrescentou: a desigualdade social e a democracia participativa são dois pontos que precisam ser lembrados quando se fala em desenvolvimento local. “A participação não pode ser subestimada, pois é um direito estabelecido na própria Constituição, que diz que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Lino afirma que a participação é um meio para gerar desenvolvimento econômico e humano, mas também uma meta para qualquer projeto e lembrou recente pesquisa da Ação Educativa que atestou que 85% dos brasileiros não exercem qualquer tipo de participação direta além do voto. “É preciso que os projetos de desenvolvimento local partilhem o processo de decisão sobre seus rumos”, observou.

O painel foi concluído com a apresentação de Chico Dantas, Sandro Cipriano e Natália Farias, da organização não-governamental Serviços de Tecnologia Alternativa (Serta), que mostraram sua atuação nas comunidades de Bacia do Goitá (PE), formada por quatro municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano e onde vivem quase 90 mil pessoas. Logo depois, foi a vez de Karla Santos, Rui Amorim e José Garcia, do Projeto Jovem Cidadão, desenvolvido com grupos de jovens de dez municípios da Baixada Maranhense.

---------------------------- x ---------------------------

17) - VISÕES E CRENÇAS SOBRE A JUVENTUDE

Por todo o mundo a juventude está convocando e sendo convocada para a ação. Vários atos e eventos estão ocorrendo, várias iniciativas estão se consolidando. A juventude de hoje já não é mais o futuro, mas sim o presente. Diversos grupos juvenis nascem todos os dias e com eles novas práticas, novas crenças, novos valores, novas possibilidades de mudança. E esses grupos clamam por serem escutados e percebidos. Não mais como crianças ou adolescentes, com quem são comumente confundidos. Mas sim como jovens, sujeitos, autônomos e agentes atuantes na sociedade.

Muitos países estão avançando rapidamente no reconhecimento da juventude e das organizações juvenis como verdadeiros sujeitos e agentes sociais, o que se reflete na criação e consolidação de verdadeiras políticas públicas para a juventude. A própria ONU (Organizações das Nações Unidas) vem realizando grandes conferências internacionais sobre a juventude (ex: Braga/Portugal e Dakar/Senegal), assim como apoiando a maciça participação juvenil em várias de suas conferência temáticas mundiais. No Brasil ainda temos muito que caminhar, uma vez que a juventude ainda é muitas vezes confundida com a infância e adolescência, assim como também com a classe estudantil. Conceitos próximos, porém diferentes.

Há grandes avanços no Brasil na proteção e garantia de direitos para a infância e a adolescência. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) abriu uma nova era na história das políticas públicas para essas fases iniciais da nossa vida. Mas hoje o que acontece é que após os 18 anos as pessoas perdem toda a garantia que tinham com o ECA, e nenhum tipo de política mais existe, de forma consistente, para jovens maiores de idade. Por exemplo, nessa faixa etária a maioria absoluta dos jovens não consegue se manter estudando, pois têm que ingressar muito cedo no mundo do trabalho, para garantir sua sobrevivência, e mesmo que assim não fosse, não haveriam vagas suficientes para toda essa massa juvenil nas universidades e em cursos técnicos, e mesmo assim somente aqueles poucos que conseguem se manter nos estudos têm garantidos direitos como de meia entrada em eventos culturais, cinemas e meia passagem nos transportes urbanos, o que é de alguma forma uma contradição. E ainda há quem diga que a juventude possui excesso de direitos e de proteção, especialmente por parte daqueles que vêem os jovens como problema, e até mesmo como delinqüentes, e por isso, por exemplo, trazem a tona discussões como a redução da maioridade penal.

Outra questão é sobre algo que parece ter virado moda atualmente, o protagonismo juvenil. Seria o protagonismo juvenil um fim em si mesmo? Se não, o que vem depois? E como criar e manter programas de apoio a jovens já considerados protagonistas, geralmente (mas não necessariamente) maiores de 18 anos, para que não sejam sub utilizados pelo mercado de trabalho? O jovem deve ser considerado como um sujeito, e a juventude não deve ser considerada apenas como uma fase de transição entre a infância e a fase adulta. O debate sobre jovens como sujeitos de direito tem sido insuficiente. Não existe uma só juventude, mas sim juventudes. Os setores rurais e urbanos excluídos são os que mais sofrem.

A Academia de Desenvolvimento Social é uma organização nascida dos movimentos sociais juvenis. Seus fundadores iniciam sua militância social em diferentes grupos juvenis, tanto do movimento cultural como do movimento estudantil, inicialmente de Teresina/PI e de Fortaleza/CE e posteriormente de Recife/PE. Isso, além de permitir muita afinidade da Academia com outros grupos juvenis do Nordeste brasileiro, dá a mesma um entendimento e uma crença particular nas juventudes e nos seus movimentos sociais.

A missão da Academia reflete implicitamente essa crença: “Canalizar inquietações humanas para gerar mudanças sociais”. Acreditamos muito que as mudanças sociais não acontecem à toa, mas sim porque alguém, geralmente em grupo, idealiza e viabiliza espaços e ações, movimentos e organizações, propostas e políticas para influenciar o nosso dia-a-dia e provocar mudanças na sociedade, a partir de suas inquietações frente ao mundo e à sociedade. Acreditamos que é o sentimento de inquietação que provoca ações empreendedoras no campo da mudança social. Também acreditamos na capacidade inata de todos os seres humanos de se inquietarem e a partir daí agirem. Porém reconhecemos que é na juventude onde tais sentimentos de inquietação se expressam com mais intensidade e naturalidade. Isso faz com que a Academia, que como dito é uma organização formada por um grupo de jovens militantes dos movimentos sociais juvenis, esteja também naturalmente voltada para apoiar outros grupos juvenis a provocar mudanças sociais, a partir das suas próprias inquietações.

O programa Incubadora Social para Ação Jovem, da Academia, é o principal instrumento onde se processa esse apoio a grupos/instituições juvenis. Através dele mais de uma dezena de organizações juvenis incubadas estão canalizando seus esforços para a construção de propostas de intervenção social, cultural, ambiental e/ou política por toda a Região Metropolitana do Recife. Tais organizações são vistas e reconhecidas pela Academia como organizações parceiras. Seus jovens integrantes não são encarados como educandos, e os jovens que compõe a Academia não se vêem como educadores neste processo de incubação. A busca constante é que um veja o outro sempre como parceiro, de igual para igual, numa grande rede de ação e intervenção social. Junto com essa constante, a Academia vê esses jovens não mais apenas como jovens protagonistas, mas sim como verdadeiros empreendedores sociais.

Facilitador: Rui Mesquita – Consultor da Fundação W. K. Kellogg, membro da ONG Academia de Desenvolvimento Social. E-mail: rui@cidadania.org.br.

------------------------ x ----------------------------

18) - ADOLESCENTE COMO PROTAGONISTA

Ao nos perguntarmos acerca do tipo de jovem que queremos formar, concluímos que é aquele autônomo, solidário, competente e participativo. Refletindo sobre essa questão, surgiu-nos a idéia de protagonismo juvenil, conceito que veio preencher uma lacuna teórico-prática nesse campo.

A palavra protagonismo é formada por duas raízes gregas: proto, que significa ‘o primeiro, o principal'; agon, que significa ‘luta'. Agonistes, por sua vez, significa ‘lutador'. Protagonista quer dizer, então, lutador principal, personagem principal, ator principal.

Uma ação é dita protagônica quando, na sua execução, o educando é o ator principal no processo de seu desenvolvimento. Por meio desse tipo de ação, o adolescente adquire e amplia seu repertório interativo, aumentando assim sua capacidade de interferir de forma ativa e construtiva em seu contexto escolar e sócio-comunitário.

O centro da proposta é que, através da participação ativa, construtiva e solidária, o adolescente possa envolver-se na solução de problemas reais na escola, na comunidade e na sociedade.

Um dos caminhos para que isso ocorra é mudar nossa maneira de entender os adolescentes e de agir em relação a eles. Para isso, temos de começar mudando a maneira de vê-los. O adolescente deve começar a ser visto como solução e não como problema. No interior dessa concepção, o educando emerge como fonte de iniciativa (na medida em que é dele que parte a ação), de liberdade (uma vez que na raiz de suas ações está uma decisão consciente) e de compromisso (manifesto na sua disposição em responder por seus atos).

Assim, quando o adolescente, individualmente ou em grupo, se envolve na solução de problemas reais, atuando como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso, temos diante de nós um quadro de participação genuína no contexto escolar ou sócio-comunitário, o qual pode ser chamado de protagonismo juvenil.

Na perspectiva do protagonismo juvenil, é imprescindível que a participação do adolescente seja de fato autêntica e não simbólica, decorativa ou manipulada. Essas últimas são, na verdade, formas de não-participação. Tais formas desviadas de participação podem causar danos ao desenvolvimento pessoal e social dos jovens, além de minar a possibilidade de um convívio autêntico entre eles e seus educadores. A participação é a atividade mais claramente ontocriadora, ou seja, formadora do ser humano, tanto do ponto de vista pessoal como social.

Educar para a participação é criar espaços para que o educando possa empreender, ele próprio, a construção de seu ser. Aqui, mais uma vez, as práticas e vivências são o melhor caminho, já que a docência dificilmente dará conta das múltiplas dimensões envolvidas no ato de participar.

Na vivência dessa pedagogia, o educador já não pode limitar-se à docência. Mais do que ministrar aulas, ele deve atuar como líder, organizador, animador, facilitador, criador e co-criador de acontecimentos por meio dos quais o educando possa desenvolver uma ação protagônica.

A adesão à perspectiva pedagógica do protagonismo juvenil vai muito além da assimilação pelo educador de algumas noções e conceitos sobre o tema. Antes de tudo, essa adesão deve traduzir-se em um compromisso de natureza ética entre o educador e o adolescente. O protagonismo deve ser vivido como participação do adolescente no ato criador de ação educativa em todas as etapas de sua evolução.

Além de um compromisso ético, a opção pelo desenvolvimento de propostas baseadas no protagonismo juvenil exige do educador uma clara vontade política no sentido de contribuir, através de seu trabalho, para a construção de uma sociedade que respeite os direitos de cidadania e aumente progressivamente os níveis de participação democrática de sua população.

Mas a clareza conceitual, o compromisso ético e a vontade política só potencializam verdadeiramente sua ação quando o educador está comprometido em níveis que ultrapassam em profundidade o conhecimento do assunto, ou seja, quando ele está emocionalmente envolvido com a causa da dignidade plena do adolescente. Para que isso ocorra, o educador deve evitar posturas que inibam a participação plena dos jovens.

Eis um pequeno elenco de posturas assumidas pelos adultos ao trabalhar com adolescentes.

• anunciar aos jovens decisões já tomadas, reservando-lhes apenas o dever de acatar;

• decidir previamente e depois tentar convencer o grupo a assumir a decisão tomada pelo educador, como se fora sua própria decisão;

• apresentar uma proposta de decisão e convocar o grupo para discuti-la;

• o educador apresenta o problema, colhe sugestões e decide com o auxílio do grupo;

• o educador estabelece os limites de determinada situação e solicita aos adolescentes que tomem decisões dentro desses limites;

• o educador deixa a decisão a cargo do grupo, sem interferir no processo que a originou.

A evolução do trabalho com um grupo de adolescentes empenhados em decidir a partir de uma ação protagônica segue de modo geral as seguintes etapas:

Apresentação da situação-problema

A situação-problema deve ser apresentada do modo mais realista e desafiante possível. É necessário embasá-la em dados. Informações e objetivos.

Proposta de alternativas ou vias de solução

Deve-se procurar extrair do grupo o maior número possível de alternativas de solução para o problema apresentado.

Discussão das alternativas de solução apresentadas As propostas devem ser discutidas e criticadas livremente. O grupo deve estar consciente de que são idéias e não as pessoas que as apresentaram que estão em julgamento.

Tomada de decisão

Durante a discussão, o grupo vai descartando as alternativas mais inviáveis e inconscientes até chegar à decisão final, que pode ser unânime ou majoritária. Essa, contudo, é uma situação indesejável, que deve ser evitada ao máximo pelo educador.

Em seu trabalho com jovens envolvidos na realização de ações protagônicas, cabe ao educador:

• ajudar o grupo a identificar situações-problema e a posicionar-se diante delas;

• empenhar-se para que o grupo não desanime nem se desvie dos objetivos propostas;

• favorecer o fortalecimento dos vínculos entre os membros do grupo;

• animar o grupo, não o deixando abater-se pelas dificuldades;

• motivar o grupo a avaliar permanentemente sua atuação; quando necessário, replanejá-la;

• zelar permanentemente para que a ação dos jovens seja compreendida e aceita por todos os que com eles se relacionam no curso do processo;

• manter um clima de empenho e mobilização no grupo;

• colaborar na avaliação das ações desenvolvidas pelo grupo e na incorporação de suas conclusões nas etapas seguintes do trabalho.

O educador que se dispuser a atuar como animador de grupos de adolescentes em ações de protagonista deverá:

• ter consciência de que a participação na solução de problemas reais da comunidade é fundamental para o desenvolvimento pessoal e social de um adolescente;

• conhecer os fundamentos, a dinâmica e a evolução do trabalho com grupos;

• ter algum conhecimento a respeito da situação ou problema que se pretende enfrentar;

• compreender adequadamente o projeto e ser capaz de explicá-lo quando necessário;

• ter participado de ações grupais, ainda que não tenha sido na condição de animador;

- estar convencido da importância da ação a ser realizada e estar disposto a transmitir a outras pessoas esse conhecimento;

• ter capacidade de administrar oscilações de comportamento entre os adolescentes, como conflitos, passividade, indiferença, agressividade e destrutibilidade;

• ser capaz de conter-se para proporcionar aos educandos a oportunidade de pensar e agir livremente

• acolher e compreender as manifestações verbais e não verbais emitidas pelo grupo;

• respeitar a identidade, o dinamismo e a dignidade de cada um dos membros do grupo.

Essa maneira de trabalhar com os adolescentes certamente irá contribuir para que muito do que hoje é considerado problema se transforme amanhã em solução. Para isso, é preciso enfrentar de modo efetivo os problemas da escola, da comunidade e da vida social. O fundamental é acreditar sempre no potencial criador e na força transformadora dos jovens.

Extraído do manual Afetividade e sexualidade na educação um novo olhar da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais e Fundação Odebrecht.

Antonio Carlos Gomes da Costa

------------------------ x ------------------------------

19) - MP DETÉM JOVENS QUE FILMARAM RELAÇÕES SEXUAIS COM ADOLESCENTE - 05/07/2005 - 19h08m - Globo Online

RIO - Foram detidos nesta terça-feira e encaminhados à 2ª Vara de Infância e Juventude os dois jovens que gravaram e divulgaram na internet um vídeo contendo imagens de relações sexuais com uma jovem de 16 anos. A prisão foi efetuada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, atendendo à decisão do juiz Marcelo Alberto Chaves Villas.

O juiz determinou a internação provisória dos jovens por 45 dias. Terminado este prazo, ele poderá decidir estendê-la por até três anos. A decisão se baseia no artigo 108 do Estatuto da Criança e do Adolescente e na "gravidade e repercussão dos fatos", segundo o juiz. Ele justificou "o acautelamento provisório" dos jovens "como medida de garantia da ordem pública". Um deles foi detido em Botafogo e o outro em Laranjeiras.

De acordo com a representação dos promotores, os dois jovens, um deles namorado da adolescente no início de 2004, fizeram as filmagens sem o conhecimento dela, e depois divulgaram na internet. O MP apreendeu na casa de um deles disquetes e comprovou a veracidade das denúncias nas imagens contidas no HD do computador.

O juiz, em sua decisão, diz que, "além de conspurcarem a honra objetiva e subjetiva de uma adolescente", os dois rapazes "talvez estejam vinculados a um rede internacional de exploração de pedofilia, o que torna a conduta ainda mais reprovável". E afirma que a armadilha que prepararam para a jovem "traz conseqüências irremediáveis para a vítima, a qual durante toda a sua vida virá a ser marcada pela ocorrência deste episódio".

20) - GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

Ela ainda é uma menina. Há pouco tempo corria brincando por vielas do bairro pobre onde mora, na Zona Norte de São Paulo. Mas a estudante Bruna Gomes não brinca mais porque ela vai ter um bebê. Não vai haver festa nem casa nova. Bruna vai ter sua estréia precoce nos papéis de mulher e mãe em um quarto construído sobre a laje da casa. É o que deu para fazer. É lá que ela vai viver com o namorado, de 19 anos.

Em enxoval de segunda mão não se escolhe a cor. Azul, cor-de-rosa, vale tudo. Roupas, sapatinhos... Poderia ser uma brincadeira de boneca, mas Bruna sabe que o tempo da inocência acabou.

“Com o tempo, você pode ficar sem a boneca. Filho não, você fica com ele para sempre, é para a vida toda”, diz Bruna. “Agora não posso fazer mais nada.”

“Acho que vou perder muitas coisas. Pessoas vão me chamar para sair e eu não vou poder porque vou cuidar do meu filho. Mas um dia eu vou poder sair com ele. Isso não me deixa muito preocupada, porque eu nunca fui de ficar querendo sair, sempre fui de ficar dentro de casa”, conta a adolescente.

Gravidez imprevista na adolescência vira a vida de cabeça para baixo. A escola, carreira profissional, tudo fica suspenso, adiado, principalmente os sonhos.

“Sonhava em ser cantora. Todo mundo fala que eu tenho dom para ser cantora”, diz Bruna.

Na pressa do amor, os amantes juvenis esqueceram o preservativo e, aos 14 anos, Bruna surpreendeu a mãe com a gravidez inesperada. A dona de casa Marly Gomes da Rocha não se conforma. Conversou tanto sobre sexo com a filha, mas foi inútil. Vai ser avó aos 37 anos.

“Ainda não me acostumei com a idéia”, ela diz.

“Ela ainda tem duas opções: pode ser chamada de avó ou madrinha”, comenta Bruna.

“Eu não quero ser chamada de avó porque sou muito nova. Madrinha está bom”, conclui Marly. “Ela tem que cuidar do filho dela. Vou ajudar, mas não fazer o papel de mãe do neném”, ressalva.

A vida nova de Bruna começa no verão do ano que vem. Mas ela ainda está longe de parecer segura e feliz com o seu futuro.

“Dá um pouco de medo. Não é aquela história de namorado, agora tem uma criança no meio. É estranho, tem uma responsabilidade maior e eu ainda não me acho pronta”, admite a jovem.

Bruna não é um caso isolado. De cada três crianças que nascem no Brasil, uma é filha de mãe adolescente, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Do total de meninas, 40% começam a vida sexual antes dos 14 anos. É um início precoce e a gravidez ocorre um ano, um ano e meio depois”, observa o psiquiatra Ronaldo Laranjeira.

O psiquiatra ouviu 1 mil meninas entre 12 e 19 anos na periferia de São Paulo. Elas foram entrevistadas logo depois de terem dado à luz. O que intriga médicos e especialistas é que, mesmo com as campanhas pregando o uso da camisinha, é cada vez maior o número de jovens que não se preocupam em evitar filhos e nem doenças sexualmente transmissíveis.

"Só informação, só escolarização, não está prevenindo esse fenômeno. Temos que ir muito além disso, achar meios mais criativos de atingir a adolescente, de modo que ela tenha um plano de vida e não queira engravidar e sim se desenvolver profissionalmente”, ressalta o psiquiatra.

NOVA REALIDADE

Uma adolescente só tem 15 anos, mas é como se carregasse na alma a amargura de uma longa vida – perdas, frustrações, e uma imensa solidão. Primeiro, morreu a mãe. Depois, o namorado - bem mais velho, que era o pai do filho que ainda está no ventre. Ele foi assassinado na frente dela.

“É difícil um relacionamento de quatro anos acabar assim, de uma hora para outra”, comenta a adolescente.

Não foi por acaso. Ela conhecia os riscos de um amor sem proteção, mas quis o filho.

“Normal querer ficar grávida. Não tenho idéia de como vai ser agora”, ela diz.

Em um hospital na periferia de São Paulo, as adolescentes estão sendo preparadas para a maternidade. Fazem o pré-natal e aprendem a cuidar dos bebês. Em poucos meses, todas vão estar enfrentando a nova realidade, que Michele Cerqueira e Fabíola Santos da Silva já conhecem. Michele deixou os estudos de lado e passa sua juventude entre as paredes de uma casa de vila. Ficou desesperada quando se viu grávida do segundo filho.

“A gente não tinha o que comer em casa direito. Mandei o Leonardo para a casa da avó dele, porque ele não vai comer só arroz e feijão. Meu marido estava desempregado, e eu fiquei grávida. O que eu ia fazer com mais um filho?”, comenta Michele, de 17 anos.

Fabíola é ainda mais jovem. Com apenas 15 anos já tem dois filhos. O pai, Márcio Geraldo da Silva Filho, de 21, era vizinho de rua, na periferia de São Paulo.

“O primeiro ele queria e pediu para eu engravidar. No fim, eu também quis. Mas o segundo a gente não queria e veio por falta de experiência”, conta Fabíola.

O marido de Michele arranjou emprego de auxiliar de marceneiro e sustenta a família com R$ 300 por mês. Eles moram em uma casa emprestada pela avó do rapaz.

“Se não fossem nossas famílias, não sei o que seria de nós. Ele recebe muito pouco e às vezes não dá para as despesas da casa”, diz Michele.

Fabíola se acomodou com os filhos no quarto que os pais de Márcio construíram. Na casa, todos estão desempregados.

“Eu sou ajudante-geral, mas agora estou desempregado”, conta Márcio. “Gostaria de dar o bom e o melhor para eles. Me acho capaz de fazer isso, só falta o serviço.”

Michele quer voltar a estudar, mas vai esperar primeiro o marido terminar o supletivo. Até lá, precisa conseguir vaga para as crianças na creche.

“Não era isso que eu sonhava. Pretendia terminar os estudos e fazer faculdade. Ainda estava indecisa entre psicologia infantil e jornalismo”, conta a adolescente.

A dureza da vida tem quebrado o encanto de Fabíola. Quando a realidade chega com sua cara implacável, ela se dá conta da precipitação em ter tido filhos tão jovem.

“Queria poder cuidar melhor dos meus filhos, porque não tenho condições de cuidar deles direito. Às vezes, o mais velho pede coisas que a gente não tem dinheiro de dar”, lamenta Fabíola.

Lutar com a falta de dinheiro é difícil, mas com as dores da alma talvez seja ainda pior.

“Acho que estou perdendo o melhor da vida e isso dói muito. Fica um gosto amargo, que acaba se transferindo para o amor porque a gente acaba brigando”, emociona-se a jovem mãe.

“É um ônus duplo: para a criança que ficou grávida e para a criança que nasceu dessa situação. A moça que engravidou vai ter maior dificuldade de se posicionar profissionalmente. Vão diminuir as chances de ter uma profissão para ela mesma. Em relação a seus filhos, pesquisas internacionais mostram que essas crianças vão ter menor acesso à escola e menos chance de se desenvolver como pessoa, porque vão ter uma família com maiores dificuldades do que a vizinhança”, constata o psiquiatra Ronaldo Laranjeira.

Não é só no Brasil que essa tendência se manifesta. É um fenômeno mundial. A que atribuir? Imaturidade da juventude? Insatisfação e falta de horizonte na vida? Na ânsia de melhorar o dia-a-dia, buscam uma mudança. Só que a transformação acaba sendo para pior.

JOVENS PAIS

O quarto ainda é de criança, mas a cabeça é de adolescente. O corpo ganhando novas formas já é capaz de engravidar e desejar um príncipe encantado. Janaína Paulino tem 15 anos e já sabe o que é sofrer por amor. Ela conhece o mundo secreto das paixões adolescentes.

Às vezes é mesmo difícil falar com eles e, quando o assunto envolve sexo, os pais também têm lá suas barreiras. A mãe de Janaína, Cláudia Paulino, não consegue nem perceber que a filha cresceu.

“Não falei sobre prevenção, porque ela ainda brinca de boneca”, conta Cláudia.

Ilusão de um lado, fantasia de outro. Janaína está naquela fase de risco. É com 15 anos que a maioria das brasileiras perde a virgindade. E se vier um bebê? Janaína pensa que cuidar é moleza.

“Não tem trabalho. A gente troca a fralda, amamenta e acabou, o bebê dorme”, resume a jovem.

Uma boa dose de realidade foi a proposta do Globo Repórter. Janaína topou enfrentar o desafio de cuidar de um bebê durante dois dias. Será que ela conseguiu? Ser mãe adolescente é uma boa idéia?

“Só vou tirar essa dúvida quando acabar o teste”, disse ela.

O tempo para as apresentações foi curto. Entre as 70 crianças que vivem no abrigo conveniado com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social de São Paulo, o escolhido foi Vítor, de dois meses. As funcionárias avisaram que havia muito o que fazer.

O desafio que Janaína enfrentou durante o Globo Repórter foi uma pequena mostra do que significa um bebê na vida de uma adolescente. Uma pesquisa da Unesco em 14 capitais do Brasil revela que uma em cada 15 estudantes engravida antes dos 15 anos de idade. Histórias de amor cheias de fantasia e sem avaliação dos riscos acabam entre choros e fraldas.

Um bebê prematuro tem pouco mais de um quilo e um pai de 15 anos, ainda com cara de menino. Para entender o que aconteceu com Romilton de Brito e Andressa Costa é preciso voltar no tempo. Pena é não poder mudar o que aconteceu.

Carinho, vontade de estar sempre perto. De "ficada" em "ficada", lá se foram cinco meses. O relacionamento foi esquentando e virou namoro quando já era impossível segurar a vontade de transar, o que para a maioria dos meninos brasileiros acontece entre os 10 e os 14 anos.

“Tive várias oportunidades com qualquer menina que me ofereceu, e nunca tive vontade. Todo mundo falava que eu era bicha, mas nunca tive vontade. Dizia que queria ir com a menina que eu gostasse”, conta Romilton.

O jeitinho romântico de Romilton acabou conquistando a colega de 15 anos. Andressa tinha dois sonhos, o que, para a moradora da periferia pobre de São Bernardo do Campo no ABC Paulista, parecia demais.

“Ia demorar muito para ser engenheira. Primeiro teria que terminar os estudos. Depois, começar a faculdade. Eu pensava como seria pagar, pois não tinha condições. Achava que ser mãe seria mais fácil que pagar uma faculdade”, diz Andressa.

Romilton e Andressa perderam a virgindade juntos. Ela, sonhando em ser mãe e ele, como tantos meninos, atrapalhadíssimo com a camisinha.

“Na hora fiquei nervoso, tentei colocar e não deu certo. Aí falei: ‘Vai sem mesmo'”, lembra o jovem.

Por isso, a especialista em educação sexual para adolescentes Maria Helena Vilela aconselha: não basta ter informação é preciso treinar, treinar muito, e perder o medo da camisinha.

“As meninas devem abrir a camisinha, pegá-la, enchê-la, fazer bexiga, tentar vesti-la – seja no pepino, cenoura, banana, no dedo. Elas devem aprender a vestir a camisinha no menino. E os meninos devem treinar neles mesmos, na hora da masturbação. Os meninos precisam perder o medo da camisinha. Basta que eles adquiram essa intimidade para que saibam usá-la na hora adequada, sem precisar entrar em pânico no momento que estiverem se relacionando com uma menina”, orienta a especialista.

Foi para a mãe, Elisabeth dos Santos, que Andressa pediu socorro quando descobriu que nas transas sem camisinha, o sonho de ser mãe tinha virado realidade. Mais uma história real, daquelas difíceis de acreditar.

“Eu perguntava e ela não respondia. Aí, a médica pediatra dela pediu um exame urgente. O resultado foi positivo e deu um susto grande. Quando ela fez o ultra-som, chegou dando a notícia de que eram dois. Foi um susto maior. Eu fiquei dormente, um dos lados do meu rosto adormeceu todo e eu sentei. Meu marido encheu os olhos d'água”, conta Elisabeth.

Gabriel Vítor e Thaíssa Vitória. Aos seis meses de gravidez, aos 15 anos de idade, Andressa teve dois bebês. Prematuros, os gêmeos precisam de muito tempo no hospital e do calor dos pais, que hoje passam boa parte do dia pela unidade.

“Eu durmo aqui, nem vou embora. Quando vou, volto no dia seguinte”, diz Andressa.

Romilton passou a escola para o turno da noite e de vez em quando consegue um bico em um lava-rápido. Andressa interrompeu os estudos. Quando consegue um tempinho, arruma as roupinhas e os berços que ganhou. No quarto montado na casa dos pais, os dois desempregados, a cama dela é de solteiro. A surpresa roubou o espaço dos sonhos.

“A gente estava fazendo tantos planos para ela ter um futuro - estudar, fazer um curso”, diz a mãe de Andressa.

O futuro agora é incerto. Ainda não há dinheiro, condições para que Andressa e Romilton fiquem juntos. Chocada com a experiência de virar mãe – e de gêmeos -, Andressa só queria poder voltar no tempo.

“Eu olho para minha mãe e penso no que fiz com ela e com meu pai, com minha família. Esse choro dela é tudo culpa minha. Foi à toa, uma coisa que eu não pensei direito. Se eu tivesse pensado, tinha feito ela chorar de alegria em me ver formada, com minha vida profissional. Se eu pudesse mudar o tempo todinho, eu mudava”, revela Andressa.

Voltar Ao Topo

 

VOLTAR